Patrícia Domingos diz que capital pode sair do consórcio Grande Recife, se eleita prefeita

Mário Flávio - 29.09.2020 às 19:47h

A candidata a prefeita do Recife pelo Podemos, Patrícia Domingos, defendeu, nesta terça-feira (29), em entrevista à Rádio Jornal, que o município recupere a autonomia sobre a gerência do transporte público e criticou a atual realidade sob a alçada do consórcio Grande Recife.

A candidata rebateu argumentos de especialistas que apontam a união das cidades como a melhor formar de gerir o transporte público na Região Metropolitana.

“Essas pessoas que afirmam isso não são usuárias do transporte público. Temos um grupo de engenheiros de transito que têm estudado o tema conosco. Isso é uma grande mentira quando dizem que o recife não pode sair do consorcio. Temos 13 cidades na Região Metropolitana do Recife das quais apenas duas fazem parte do consórcio. Nas outras cidades, o consórcio funciona de forma transparente. Recife, das 24 cadeiras, só tem 2 votos. O transporte está sendo feito de forma errada”, disse.

“O consórcio beneficia as empresas. Vamos declarar a independência municipal, não recuei de forma alguma nessa proposta. Agora, o transporte intermunicipal por lei é de responsabilidade do Estado”, acrescentou.

A candidata também disse que é preciso rever o modelo de cobrança de tarifas de ônibus. Atualmente, a passagem está em R$ 3,45 no anel A, o mais utilizado por usuários no Grande Recife.

“Hoje, separaríamos os usuários do transporte intermunicipal dos usuários do municipal. É uma tarifa única, mas tem gente que está pagando mais caro. Quem percorre 5km paga o mesmo valor de alguém que cruza o município e percorre 30km”, disse.

Bolsonaro

Questionada sobre sua avaliação em relação ao governo Bolsonaro, Patrícia disse que “toda gestão tem acertos e erros” e alfinetou os candidatos que disputam a paternidade do presidente na disputa local.

“Toda gestão tem erros e acertos, temos diversos acertos para destacar, como o auxílio emergencial, o problema é que muitos candidatos não têm historia para contar e contam a historia alheia para seu pleito eleitoral. Sempre vamos puxar o debate para os problemas do município”, disse.

“Temos diversos candidatos disputando uma pseudopaternidade do presidente enquanto o presidente diz que não vai apoiar nenhum candidato no primeiro turno, enquanto têm quatro candidatos disputando esse apoio e me atrevo a dizer que o DNA vai dar negativo para todos”, afirmou.

No Recife, os candidatos Alberto Feitosa (PSC) e Marco Aurélio (PRTB) se classificam como “bolsonaristas” e criticam Mendonça Filho (DEM) por acenos a apoiadores do presidente. Charbel Maroun, por sua vez, evita críticas a Bolsonaro.

Recentemente, o presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, disse que a candidatura de Patrícia Domingos representa uma alternativa ao bolsonarismo e ao petismo no Recife. O Cidadania é presidido em Pernambuco pelo deputado federal Daniel Coelho, aliado e coordenador da campanha eleitoral de Patrícia.

Ouça a entrevista de Patrícia Domingos ao Paralelo Podcast: https://linktr.ee/vetorci