Coluna da terça – Raquel com discurso de candidata e prepara o time para a campanha

Mário Flávio - 17.01.2022 às 23:57h

Quem acompanhou o discurso da prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, no evento promovido pelo PSDB em Gravatá, percebeu que o tom é de candidata. Ela subiu diversas vezes a fala contra o governador Paulo Câmara (PSB), criticando o governo do PSB em várias regiões do estado. O arsenal de críticas da tucana sempre esteve acompanhado de uma salva de palmas da plateia.

A articulação de Raquel levou para a cidade de Gravatá diversos prefeitos de várias regiões, vereadores e até mesmo lideranças de outras legendas, que prestigiaram o evento. Mas quem de fato está com Raquel nessa empreitada, já que ela perdeu o controle, como se diz no meio político, dessa possível candidatura? O blog apurou os possíveis aliados da tucana.

Prefeitos que estariam no palanque de Raquel: Anderson Ferreira (PL), de Jaboatão, Guiga (Cida), de Vicência, Dona Graça (PSDB), Catende, Duguinha Lins (PSDB), de São Joaquim do Monte, Romero Leal (PSDB), Vertentes, Judite Botafogo (PSDB), Lagoa do Carro, Dió Filho (Republicanos), Riacho das Almas (DEM), Alvinho (DEM), Quipapá e Sandra Paes (DEM) Canhotinho.

De acordo com a coordenação do PSDB, mais nomes devem aderir, até mesmo alguns da base do governo. O grupo espera pela chegada de pelo menos dez prefeitos. Atualmente, três deputados federais podem ficar no palanque, caso nada mude até o mês de outubro: André Ferreira (PSC), caso o irmão dele, Anderson não seja o candidato ao governo, Daniel Coelho (Cidadania) e Fernando Rodolfo (PL), que vai analisar bem a situação antes de entrar na disputa.

Fernando tem uma boa relação com Miguel Coelho (DEM) e caso não aconteça um entendimento com o grupo de Raquel, ele pode migrar para o palanque do prefeito de Petrolina. Na Assembleia, Raquel conta com o apoio de três deputados: Álvaro Porto (DEM), que pode ir para o PSDB, Priscila Krause, que segue sem partido e pode ser até mesmo a vice de Raquel e Alessandra Vieira (PSDB), que deve abrir mão da reeleição e apoiar o nome do marido, ex-prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Edson Vieira.

O grupo espera contar ainda com o apoio dos insatisfeitos com a Frente Popular e após as definições das chapas, a expectativa é de uma adesão de cinco deputados estaduais e mais dois federais, isso numa perspectiva otimista. O grande número mesmo está no grupo de ex-prefeitos e ex-deputados. De acordo com as contas dos tucanos são mais de 60, sem falar nos vereadores.

O que mais espera?

O grupo ainda sonha com a adesão do União Brasil, caso nacionalmente o partido feche com a candidatura de João Doria (PSDB) para à presidência. Essa situação é bem difícil, já que Miguel Coelho preparou bem o terreno para lançar a candidatura oficialmente até o mês de março. Ele já visitou até o governador de Alagoas, Renan Filho, para saber da experiência de gestão por lá.

Precisa de mais…

Mesmo com o número acima, Raquel vai precisar costurar bem para atrair nomes da Frente Popular para o grupo. Todos sabem da força do PSB e da engenharia do partido para ganhar eleição em Pernambuco. Além disso, se o partido fechar mesmo com o PT, vai ser complicado ficar contra o palanque do ex-presidente Lula aqui em Pernambuco.

…E Bolsonaro?

Raquel também vai precisar debater sobre a situação do PL, partido do presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores, já se fala que essa será a estratégia da Frente para jogar no colo de Raquel a pecha da candidata do presidente, mesmo ela sendo do partido de Doria, Anderson e André Ferreira, são aliados de Bolsonaro e fazem questão de frisar isso por onde passam.

O enigma da esfinge em Toritama…

Em entrevista a Rádio Cidade o prefeito de Toritama, Edilson Tavares (MDB), deixou claro que a depender do candidato da Frente Popular, pode votar na oposição. Ele disse que se o candidato fosse Paulo Câmara era voto garantido, mas já que não é ele vai avaliar a situação. Garantiu que apoia Raul Henry e Tony Gel, mas que tem liberdade para votar no candidato ao governo que bem entender.

…Não vota no PT

No entanto, ele deixou claro que não vota no PT. “Minhas convicções não me permitem votar no PT. Sou conservador, isso não quer dizer que sou um radical de direita, aliás, isso está acabando com o Brasil. Já me disseram que eu não devia dizer isso em público, mas políticos tem que ter lado e no PT eu não voto”, disse. Edilson é uma das apostas do grupo de Raquel para ter apoio.