Sindicato dos médicos vê “prioridades invertidas” na decisão do governo do estado de proibir férias dos profissionais de saúde: “enquanto isso, eventos com até 3 mil pessoas seguem liberados”

Mário Flávio - 28.01.2022 às 19:07h

O Simepe (Sindicato dos Médicos de Pernambuco) reagiu com uma dura nota à portaria do governo de Pernambuco publicada na manhã desta sexta-feira (28) proibindo férias dos profissionais de saúde por 60 dias.

A decisão começa a valer em 1º de fevereiro. O governo alegou o avanço da variante ômicron como pretexto para a medida.

Em nota divulgada na tarde desta sexta, o Sindicato dos Médicos diz que as festas estão liberadas enquanto o cenário é “de superlotação nos hospitais, profissionais sobrecarregados, falta de estrutura adequada e equipamentos básicos como a máscara N95, única que de fato assegura a devida proteção contra a Ômicron”.

“O governo de Pernambuco fecha os olhos para a realidade e se contradiz ao permitir que eventos de até 3 mil pessoas continuem liberadas. Aglomerações que são claramente suscetíveis ao aumento da contaminação do vírus e que sobrecarregam ainda mais os hospitais”, dizem os médicos.

Sobre a proibição as férias por 60 dias, o Simepe considerou “inadmissível” e abalou que “as prioridades estão invertidas e não há o menor cuidado para que o cenário pandêmico seja revertido”.

O Simepe também cobrou um posicionamento do Cremepe (Conselho Regional de Medicina de Pernambuco) sobre as más condições de trabalho alegadas.

O sindicato dos médicos também aponta “postura contraditória” do governo Paulo Câmara (PSB). A portaria com a proibição das férias foi assinada pelo secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, no Diário Oficial desta sexta-feira.