Diretora do Ipec: Pesquisa não é oráculo; eleitor teve atitude de 2º turno

Lucas Medeiros - 04.10.2022 às 21:25h

Por UOL

(Imagem: laudio Belli)

A diretora do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica), Márcia Cavallari, rebateu críticas aos dados divulgados pela empresa sobre as intenções de votos durante a campanha eleitoral.

Em entrevista ao UOL News, Cavallari avaliou que o presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ter recebido votos úteis migrados de Ciro Gomes (PDT) e dos eleitores indecisos. A última pesquisa de intenção de votos Ipec antes do primeiro turno mostrava Bolsonaro com 37% dos votos válidos; o candidato à reeleição recebeu 43,20% dos votos. O ex-presidente Lula registrou 51% das intenções de votos válidos no Ipec de sábado (2), e recebeu 48,43% nas urnas.

Lula deixou de ganhar no primeiro turno por 1,6% dos votos“, disse a diretora da empresa. “Os índices de Ciro eram 5%; ele teve 3%. Tínhamos 3% de indecisos. Esses votos migraram para Bolsonaro provavelmente no voto estratégico, não querendo que a eleição terminasse no 1º turno. Ou seja, antecipando um possível comportamento do segundo turno já no primeiro“, acrescentou.

Cavallari também falou sobre a proposta do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), em criminalizar as pesquisas eleitorais. Segundo ela, “todo ano tem essa discussão no Congresso.

Não é novidade. Pode ser que agora venham com mais força, mas isso sempre acontece“, minimizou.

O que tem que ser entendido é a interpretação da pesquisa. A pesquisa não é um oráculo, não tem poder de projetar resultado futuro. Está ali diagnosticando um momento, medindo a opinião das pessoas, que muda ao longo do processo [eleitoral]“, explicou a executiva.