A decisão unânime da 1ª Câmara do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) de suspender os contratos de publicidade firmados pela gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) reacendeu os embates entre os grupos políticos que se projetam para a disputa ao governo estadual em 2026. A votação, realizada no fim de junho, manteve suspensos os contratos que, ao longo de dez anos, previam a destinação de R$ 1,2 bilhão a quatro agências responsáveis pela comunicação institucional do governo estadual.
No centro da polêmica está o voto do conselheiro Carlos Neves, vice-presidente do TCE, que foi favorável à suspensão dos contratos. O que provocou reações no entorno da governadora, no entanto, foi o fato de Neves ser primo do autor da denúncia que originou a investigação, o advogado Pedro Queiroz Neves. A ligação familiar gerou questionamentos sobre uma possível suspeição do conselheiro, ainda que ele não tenha sido o relator do processo — papel que coube ao conselheiro Eduardo Porto, responsável por suspender os pagamentos antes mesmo da votação em plenário.
A Corte de Contas informou que Carlos Neves também tem vínculo de parentesco com o secretário de Comunicação do Estado, Rodolfo Costa Pinto, cuja pasta foi responsável pelos contratos publicitários agora paralisados. Ainda assim, o tribunal sustenta que Neves não estava legalmente impedido de atuar e que sua participação ocorreu de forma regular.
Outro ponto que chamou a atenção nos bastidores do Palácio do Campo das Princesas foi o fato de o conselheiro exercer interinamente a presidência do TCE no dia do julgamento. A condição, segundo o próprio tribunal, não teve influência no trâmite da decisão, uma vez que Neves atuou apenas como membro julgador e não presidiu a sessão da 1ª Câmara.
O episódio expõe, mais uma vez, o clima de rivalidade entre os grupos de Raquel Lyra e João Campos (PSB), prefeito do Recife e possível adversário da tucana na próxima corrida ao Palácio. Enquanto a gestão estadual enfrenta reveses em decisões do TCE, a Prefeitura do Recife também está sob investigação por supostas irregularidades em contratos — alimentando, dos dois lados, suspeitas de que o tribunal estaria sendo utilizado como instrumento de disputa política.
Até o momento, o governo de Pernambuco não formalizou pedido de suspeição contra o conselheiro Carlos Neves. Nos bastidores, no entanto, aliados da governadora avaliam a possibilidade de adotar medidas jurídicas, enquanto monitoram os desdobramentos do caso no tribunal e seus impactos no cenário político estadual.

