Governo Trump volta a ameaçar Lula e Alexandre de Moraes

Mário Flávio - 14.07.2025 às 20:50h

O governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, voltou a fazer duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (14). A nova investida se deu por meio de uma conta oficial da diplomacia norte-americana na rede social X (antigo Twitter), com declarações assinadas pelo subsecretário Darren Beattie.

No comunicado, Beattie afirmou que os EUA “impuseram consequências há muito esperadas contra o Supremo Tribunal de (Alexandre de) Moraes e ao governo Lula por seus ataques a Jair Bolsonaro, à liberdade de expressão e ao comércio com os EUA”. A declaração veio acompanhada do anúncio oficial do tarifaço sobre produtos brasileiros: a partir de 1º de agosto, uma alíquota de 50% será aplicada sobre determinadas importações oriundas do Brasil. Trump justificou a medida com base em razões políticas e comerciais.

A publicação ainda afirma que o governo norte-americano estará “acompanhando de perto” os desdobramentos políticos no Brasil e classifica as ações do STF e do Executivo brasileiro como “uma vergonha” e “muito abaixo da dignidade das tradições democráticas do Brasil”.

Darren Beattie é subsecretário para Diplomacia Pública da Secretaria de Estado dos EUA, equivalente ao Ministério das Relações Exteriores, e atua diretamente nas relações diplomáticas e comerciais com outros países, inclusive o Brasil.

As declarações de Washington ocorrem em meio a um momento político sensível no país. Também nesta segunda-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) deve apresentar as alegações finais no processo que tem o ex-presidente Jair Bolsonaro como réu, acusado de tentativa de golpe de Estado em 2022.

Como reação ao anúncio das tarifas, o presidente Lula assinou um decreto regulamentando a chamada Lei de Reciprocidade, que permite ao Brasil adotar contramedidas comerciais a sanções aplicadas por outros países. A medida é vista por interlocutores do Planalto como uma resposta direta ao endurecimento das relações com o governo Trump.