Em entrevista publicada nesta quarta-feira (30) pelo jornal The New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou a crise diplomática e comercial entre Brasil e Estados Unidos após o anúncio de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, previsto para entrar em vigor no dia 1º de agosto.
A reportagem, que destaca a tentativa do Brasil de buscar diálogo com Washington, trouxe declarações contundentes de Lula sobre o futuro da relação bilateral e os impactos do chamado “tarifaço”. Segundo o petista, esforços para abrir diálogo com a Casa Branca não surtiram efeito até agora. “Eu pedi para entrar em contato [com Trump]. Designei meu vice-presidente, meu ministro da Agricultura, meu ministro da Economia, para que cada um pudesse conversar com seu homólogo e entender qual era a possibilidade de diálogo. Até agora, não foi possível”, revelou.
Lula afirmou que a carta enviada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não sugere abertura para o diálogo. “Sem dúvida, a carta não tem o tom de alguém que quer conversar”, afirmou.
Ao ser questionado sobre como o Brasil deve reagir caso as tarifas sejam mesmo aplicadas, Lula respondeu que não pretende se lamentar. “Não vou chorar pelo leite derramado”, disse, indicando que o país buscará alternativas no mercado internacional. “Se os Estados Unidos não quiserem comprar algo nosso, vamos procurar alguém que queira. Temos uma relação comercial extraordinária com a China.”
O presidente também criticou a polarização geopolítica entre Washington e Pequim. “Se os Estados Unidos e a China quiserem uma Guerra Fria, não aceitaremos. Não tenho preferência. Tenho interesse em vender para quem quiser comprar de mim — para quem pagar mais.”
Apesar do tom crítico, Lula evitou ataques diretos a Trump. “Nem meu pior inimigo poderia dizer que Lula não gosta de negociar. Aprendi política negociando. Não tenho nada contra a ideologia de Trump. Trump é uma questão para o povo americano lidar. Eles votaram nele. Fim da história. Não vou questionar o direito soberano do povo americano, porque não quero que questionem o meu.”
A entrevista reforça a posição do governo brasileiro de buscar uma saída diplomática para o impasse, ao mesmo tempo em que demonstra firmeza para preservar os interesses comerciais do país diante do protecionismo norte-americano.
