O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu à decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre os produtos importados do Brasil. Em meio à crise diplomática e comercial, Lula convocou, nesta quarta-feira (30), uma reunião de emergência com ministros para discutir as medidas que o país adotará em resposta à ação do governo Trump.
Durante cerimônia no Palácio do Planalto para a sanção da lei que proíbe o uso de animais em testes com cosméticos, o presidente fez referência direta ao momento delicado das relações internacionais:
“Eu estou saindo daqui completo porque vou me reunir ali para defender outra soberania. A soberania do povo brasileiro em função das medidas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos. Então, hoje, para mim, é o dia sagrado da soberania, de uma soberania de coisas que eu gosto”, afirmou Lula.
A resposta brasileira vem após o presidente Donald Trump assinar uma ordem executiva que oficializa a nova tarifa. O texto estabelece um adicional de 40% sobre os produtos brasileiros, somando-se aos 10% de tarifas universais já em vigor, totalizando uma taxa de 50%. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto.
Apesar da rigidez do tarifaço, alguns setores estratégicos ficaram de fora, como os produtos aeronáuticos civis (de interesse da Embraer), suco e polpa de laranja, minérios de ferro e combustíveis.
Governo prepara resposta com base na Lei da Reciprocidade Econômica
Convocados por Lula, participaram da reunião os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que tem liderado as tratativas com os Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que está em missão oficial nos EUA, deve enviar um representante.
O grupo ministerial integra a força-tarefa do governo federal responsável por formular uma resposta institucional ao movimento de Washington. Entre as ações em estudo está a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza o Brasil a adotar medidas comerciais contra países ou blocos que imponham restrições unilaterais aos seus produtos.
O Planalto considera a medida americana como uma violação dos princípios do comércio justo e um ataque à soberania nacional. Segundo fontes próximas à presidência, a orientação é articular uma reação política, diplomática e econômica com apoio do Congresso Nacional, de aliados estratégicos e de parceiros comerciais internacionais, como a China.
A tensão entre Brasília e Washington vem se intensificando nas últimas semanas, e o tarifaço anunciado por Trump representa o ponto mais alto dessa crise, com impactos significativos para exportadores brasileiros e para o cenário geopolítico global.

