Deputados de Pernambuco trocam acusações entre Lula e Bolsonaro por tarifaço dos EUA

Mário Flávio - 07.08.2025 às 07:13h

A entrada em vigor do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros nesta quarta-feira (6) provocou reações opostas entre deputados estaduais de Pernambuco. Parlamentares do PT e do PL trocaram acusações sobre quem seria o verdadeiro responsável pela crise comercial que ameaça setores estratégicos da economia nacional.

O deputado Doriel Barros (PT) repudiou duramente a medida anunciada pela gestão norte-americana, mas responsabilizou diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados pela sanção. “Que absurdo, é como se o Brasil fosse uma cozinha dos Estados Unidos. Para vocês pode ser, mas para o povo brasileiro não é. O Brasil é um país soberano, que tem um presidente, não um lambe-botas, é um presidente que realmente defende o povo brasileiro”, afirmou, durante discurso na Assembleia Legislativa.

Doriel alertou ainda para as consequências econômicas da medida, que pode impactar negativamente setores como o agronegócio, a indústria e a balança comercial do país. Para ele, o governo Lula tem buscado alternativas diplomáticas e medidas de mitigação, mas herda os danos deixados pela política externa do governo anterior.

Do outro lado, o deputado Coronel Alberto Feitosa (PL) apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o principal responsável pelo agravamento das tensões com os Estados Unidos. Segundo ele, declarações de Lula contra o ex-presidente Donald Trump teriam acirrado os ânimos e motivado as taxações.

“Ficou por aqui falando besteira e deixando o Brasil na mão. Agora me diga, quem é o responsável por essas taxações e por toda essa dificuldade que vivem os brasileiros? Só tem um nome: o responsável pelo governo. Os senadores foram lá negociar. Negociar com quem, o quê, se eles não têm o poder da caneta?”, questionou Feitosa, em crítica à ausência de Lula nas negociações diretas com o governo norte-americano.

O embate entre os parlamentares reflete a polarização política que continua marcando o debate nacional, mesmo diante de temas sensíveis como os impactos econômicos internacionais. Enquanto o governo federal busca minimizar os efeitos do tarifaço com medidas emergenciais e negociações diplomáticas, o cenário político interno segue acirrado.