O ano legislativo de 2025 na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) vem sendo marcado por embates duros entre governo e oposição. A governadora Raquel Lyra (PSD), que iniciou a semana sob forte pressão, encerra os últimos dias com um cenário mais favorável ao Palácio do Campo das Princesas, após decisões judiciais que podem alterar o equilíbrio de forças dentro da CPI da Publicidade.
Instalada na última terça-feira (19), a Comissão começou com maioria oposicionista. O arranjo foi fruto de uma articulação política que levou os deputados Diogo Moraes, Júnior Matuto e Waldemar Borges a trocarem o PSB por novas legendas — PSDB, PRD e MDB. Em seguida, os três assumiram lideranças partidárias e conquistaram espaços estratégicos na CPI: a presidência, com Diogo Moraes, e a relatoria, com Waldemar Borges.
No meio da semana, o clima esquentou ainda mais. O presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), apresentou denúncias contra um assessor da governadora, a partir de investigações conduzidas pela Superintendência de Inteligência da Casa. O episódio ampliou o desgaste do governo e fortaleceu o discurso da oposição em torno da CPI.
A reviravolta, porém, começou na quinta-feira (21). Uma decisão judicial devolveu à deputada Débora Almeida (PSDB) a liderança da bancada tucana. No dia seguinte, foi a vez do deputado Joãozinho Tenório (PRD) reassumir a liderança da sua legenda. Em ambos os casos, a Justiça considerou inválidas as reuniões partidárias que haviam promovido mudanças no comando das bancadas. As decisões ainda são passíveis de recurso, mas já geram efeitos práticos.
Com esse novo quadro, a composição da CPI, hoje equilibrada entre quatro governistas e quatro oposicionistas, pode ser revista em breve. Atualmente, os titulares são:
• Antônio Coelho (União Brasil) – vice-presidente
• Waldemar Borges (MDB) – relator
• Dani Portela (PSOL)
• Rodrigo Farias (PSB)
• Antônio Moraes (PP)
• João Paulo (PT)
• Nino de Enoque (PL)
• Wanderson Florêncio (Solidariedade)
Caso as decisões judiciais sejam mantidas e as indicações alteradas, a governadora poderá conquistar maioria na Comissão. Isso mudaria o curso das investigações e daria novo fôlego político a Raquel Lyra em um ano legislativo que promete seguir movimentado. A conferir.
