
Há sinais claros de que Humberto Costa será o nome a dar as cartas em Pernambuco quando o assunto for a eleição de 2026. O primeiro deles veio do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada, ao interromper um discurso para chamar o senador e fazer questão de reverenciá-lo publicamente. Em política, gestos valem tanto quanto palavras, e esse foi simbólico: Lula sinalizou que, no tabuleiro pernambucano, Humberto não é apenas mais um aliado, mas uma peça central.
O segundo movimento veio neste domingo (24), no ato de posse de Carlos Veras como presidente estadual do PT. Ali, o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, foi enfático: declarou apoio à reeleição de Humberto ao Senado e disse que, independentemente da posição oficial do Republicanos, partido que ele comanda em Pernambuco, o apoio pessoal e político já está definido. É um aceno de peso, vindo de um auxiliar próximo de Lula e que dialoga com diferentes frentes políticas do estado.
No encontro petista, o recado foi cristalino. O PT de Pernambuco tem duas prioridades absolutas para 2026: a reeleição de Lula e a de Humberto. A polarização local entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), sequer pareceu fazer parte do debate. Quem passou pelo evento pôde notar: quase todos os discursos, do presidente nacional Edinho Silva ao novo dirigente estadual Carlos Veras, giraram em torno de Lula e Humberto, como se os dois fossem o eixo único da estratégia partidária.
O único representante do PSB, Sileno Guedes, chegou ao final e nem discursou. O silêncio petista sobre a disputa pelo governo estadual também foi calculado. Questionados após o encontro, os dirigentes repetiram que o momento é de focar em Lula e Humberto e que a definição sobre o palanque de governador ficará para depois. Ainda assim, elogiaram tanto Raquel quanto João, mostrando que a porta segue aberta em todas as direções.
Nas entrelinhas, ficou claro o motivo da cautela. Edinho Silva lembrou que João Campos pertence a um partido historicamente aliado ao PT, o PSB, mas frisou que Raquel é do PSD, sigla que também integra a base de sustentação do governo Lula. Ou seja: o PT não tem pressa em escolher palanque no estado porque, para os petistas, o jogo só começa depois de garantir o essencial — Lula em Brasília e Humberto no Senado.
Enquanto a disputa local segue embaralhada, Humberto Costa vai se consolidando como o grande fiador da estratégia petista em Pernambuco. E, ao que tudo indica, será dele a palavra final nas composições que ainda virão.