A poucos dias do fim do prazo constitucional para votação da Lei Orçamentária Anual (LOA), o impasse entre o Governo de Pernambuco e a Assembleia Legislativa está longe de ser resolvido. Embora a Constituição Estadual determine que a apreciação deve ocorrer até a próxima sexta-feira (5), o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, já admite que a votação só deve ocorrer na semana seguinte — cenário que reforça o desgaste entre os poderes e expõe a paralisia no plenário. A situação se agravou com a 28ª Conferência da Unale, realizada em Bento Gonçalves (RS), que levou a maioria dos deputados para o encontro nacional, esvaziando ainda mais o ambiente político no Recife.
A próxima sessão está marcada apenas para terça-feira (9), já que segunda é feriado municipal dedicado a Nossa Senhora da Conceição. Mesmo assim, há descrença entre os próprios parlamentares sobre a possibilidade de avanço. “Não há prejuízo, temos tempo. E depende de o presidente pautar”, disse Antônio Moraes (PP), ao reconhecer que a matéria dificilmente chegará ao plenário na data prevista. A LOA estima orçamento de R$ 62,3 bilhões para 2026 e, embora a Constituição fixe o prazo, a votação poderá ocorrer depois sem prejuízo formal — mas com forte sinalização política de que a crise entre Executivo e Legislativo se estende.
O orçamento é apenas uma das pautas represadas. Três projetos estratégicos — o empréstimo de R$ 1,7 bilhão solicitado pelo Governo para 2026, a PEC 30 (que adequa a Constituição Estadual à Federal) e a PEC 31 (que altera critérios das emendas parlamentares) — seguem sem acordo. A tensão aumentou na semana passada, quando a base governista esvaziou o plenário durante a tentativa de votação, num gesto interpretado como resposta direta à condução da pauta pela Mesa Diretora. Além delas, também está travado o PL 3578, que amplia o percentual das emendas para 1,55% da Receita Corrente Líquida (RCL).
Em meio ao clima de impasse, a governadora Raquel Lyra (PSD) enviou nesta segunda-feira (1º) um novo pacote de projetos que deseja aprovar antes do recesso. Entre eles, a criação de 105 cargos comissionados na Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe). O movimento é visto por parlamentares como um teste de força política em um momento no qual o diálogo entre Palácio e Assembleia se deteriora a cada semana — e a falta de consenso sobre temas centrais indica que a crise está longe do fim.
