A postura do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da escalada de violência no Irã tem gerado críticas no campo político e diplomático. Em nota divulgada pelo Itamaraty e repercutida pela imprensa nacional, o Brasil limitou-se a lamentar as mortes ocorridas durante manifestações no país do Oriente Médio, sem fazer qualquer crítica direta ao regime iraniano, acusado por organizações internacionais de promover repressão violenta contra a população civil.
Segundo organizações de direitos humanos, a repressão conduzida pelas autoridades iranianas já teria provocado mais de 2 mil mortes. Ainda assim, o governo brasileiro afirmou apenas “acompanhar com preocupação” os acontecimentos e destacou que cabe “aos iranianos decidir o futuro do país”, adotando um discurso de não intervenção que contrasta com a gravidade das denúncias de violações de direitos humanos.
A posição do Planalto reforça uma linha diplomática que vem sendo questionada por analistas e opositores, ao evitar condenações explícitas a regimes autoritários. Para críticos, o silêncio diante da repressão no Irã evidencia uma seletividade política do governo Lula, que costuma se posicionar com firmeza em outros cenários internacionais, mas adota cautela quando o tema envolve governos ideologicamente próximos ou estratégicos na política externa brasileira.
Embora o Itamaraty tenha informado que não há registros de brasileiros mortos ou feridos nos protestos, a ausência de uma condenação clara à violência estatal levanta dúvidas sobre o compromisso do governo com a defesa universal dos direitos humanos, princípio historicamente presente no discurso diplomático do próprio Partido dos Trabalhadores.
