O cenário político de Pernambuco para as eleições de 2026 começa a ganhar novos contornos. Incentivado pelo deputado federal Túlio Gadelha (PDT), o reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alfredo Gomes, passou a ser citado nos bastidores como um possível candidato ao Governo do Estado, buscando se apresentar como uma alternativa à polarização que se desenha entre a governadora Raquel Lyra (PSD), que pode tentar a reeleição, e o prefeito do Recife, João Campos (PSB).
Nesta quarta-feira, o reitor participou de uma reunião no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sertânia, no Sertão do Moxotó, onde esteve reunido com militantes de diferentes partidos políticos e lideranças religiosas. O encontro foi tratado por aliados como um primeiro movimento público de construção de uma pré-candidatura ao Palácio do Campo das Princesas em 2026.
Durante o evento, o reitor fez críticas ao atual ambiente político e avaliou que a esquerda em Pernambuco estaria “sem pulso”, defendendo a necessidade de revalidar pautas que, segundo ele, deixaram de ser priorizadas pelos atuais gestores. No discurso, já houve embates diretos com os nomes de João Campos e Raquel Lyra, indicando a intenção de ocupar um espaço fora da polarização que vem se consolidando no estado.
O reitor afirmou contar, neste momento, com o apoio de dois partidos: o PDT e a Rede Sustentabilidade. Apesar disso, interlocutores próximos reconhecem que ainda não há garantias de que uma eventual candidatura se dará, de fato, pela sigla pedetista, o que mantém em aberto as definições partidárias para o próximo ano.
No campo nacional, o discurso foi de alinhamento claro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O reitor declarou apoio ao governo federal e afastou qualquer possibilidade de composição com a direita, afirmando que não aceitaria “retrocesso” nas políticas públicas. Ao mesmo tempo, reconheceu falhas pontuais na gestão federal, mas disse enxergar o atual momento como uma oportunidade de retomada de agendas estruturantes.
Questionado pelos participantes sobre os eixos de um eventual projeto de governo, o reitor apontou como prioridades a recuperação do papel estratégico dos ministérios, o fortalecimento da educação e a valorização do salário mínimo. Na área econômica, defendeu uma política que dialogue tanto com pequenos quanto com grandes produtores rurais, além de empresários de diferentes portes.
Embora o movimento ainda esteja em fase inicial e sem confirmação oficial de candidatura, a articulação indica que o reitor da UFPE pode entrar no radar da disputa estadual, ampliando o leque de nomes e tensionando ainda mais o xadrez político de Pernambuco para 2026.
