
O senador Humberto Costa (PT) afirmou que a definição do posicionamento do Partido dos Trabalhadores em Pernambuco para a eleição deste ano pode acontecer antes do esperado, desde que haja consenso interno. A declaração foi dada em entrevista à jornalista Terezinha Nunes, nesta quinta-feira. Ausente do estado desde o fim do ano, Humberto informou que retorna a Pernambuco no próximo dia 24, mas fez questão de ponderar que é preciso “conter a ansiedade” dentro da legenda.
Segundo ele, apesar da pressão de setores do partido por uma decisão rápida, o processo precisa aguardar a condução do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE), criado para tratar das questões partidárias em 2026. O GTE é presidido pelo ex-prefeito de Araraquara e atual presidente nacional do PT, Edinho Silva, e coordenado pelo deputado federal José Guimarães, que tem defendido a formação de “palanques estaduais potentes” para fortalecer o projeto de reeleição do presidente Lula.
A fala de Humberto ocorreu após ser questionado sobre recente entrevista da senadora Teresa Leitão (PT), que defendeu o início imediato das discussões sobre o palanque estadual e as alianças para a eleição deste ano. Teresa avalia que o debate deve ganhar corpo a partir do próximo dia 25, quando começam as plenárias municipais do partido. Essas reuniões, no entanto, têm como foco principal as eleições proporcionais, já que o PT busca ampliar suas bancadas de deputados federais e estaduais em Pernambuco, além de garantir a reeleição de Humberto Costa ao Senado.
Apesar da possibilidade de uma definição mais rápida, o consenso ainda é um desafio dentro do PT pernambucano. Na Assembleia Legislativa, a bancada estadual do partido apoia a governadora Raquel Lyra (PSD) e defende a permanência no palanque da gestora. Já no Recife, os vereadores petistas integram a base do prefeito João Campos (PSB), o que torna natural a defesa de seu nome para a disputa pelo Governo do Estado. Diante desse cenário dividido, cresce entre os filiados a avaliação de que caberá à direção nacional do PT a palavra final sobre o palanque em Pernambuco, com o objetivo de maximizar a votação de Lula no estado.
Essa interferência da direção nacional, aliás, não é novidade. Nos últimos pleitos, as decisões sobre Pernambuco partiram do comando nacional, ainda que nem sempre tenham sido plenamente acatadas. Em 2022, por exemplo, o PT apoiou oficialmente Danilo Cabral para o Governo do Estado, mas uma parcela significativa da militância optou por caminhar com Marília Arraes.
A discussão sobre palanques múltiplos também ganhou força. Divergindo da posição de Teresa Leitão, que defende o apoio do PT a João Campos, o deputado estadual João Paulo Silva afirmou, em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, que o presidente Lula poderia ter até três palanques em Pernambuco. Ele citou o PSOL, que tem como pré-candidato ao governo o ex-vereador Ivan Moraes, mas que historicamente costuma apoiar Lula na disputa presidencial. Para João Paulo, quanto maior o número de apoios no estado, melhor para ampliar a votação do presidente.
Apesar disso, há um fator central nas decisões do PT: a prioridade absoluta é a reeleição do senador Humberto Costa. Nesse contexto, a legenda tende a construir um palanque majoritário que esteja alinhado ao projeto do senador, já que ele será o principal candidato do partido no estado.
Além das disputas internas do PT, outro elemento que complica o cenário é a federação partidária com PV e PCdoB. Embora o PCdoB esteja alinhado ao prefeito João Campos — inclusive tendo abrigado o atual vice-prefeito Victor Marques quando o PT disputava a vaga na chapa majoritária —, o PV anunciou apoio à governadora Raquel Lyra. A posição foi confirmada nesta semana pelo deputado federal Clodoaldo Magalhães, presidente do PV em Pernambuco e líder do partido na Câmara dos Deputados.
A legislação eleitoral determina que os partidos que integram uma federação devem caminhar juntos nas eleições majoritárias, o que coloca pressão adicional sobre o PT para construir uma solução que contemple os aliados e evite rupturas. Diante desse quadro complexo, a tendência é que as definições em Pernambuco passem, mais uma vez, pelo crivo da direção nacional do partido.