Raquel Lyra enfrenta claques petistas e mantém firmeza política

Mário Flávio - 19.01.2026 às 07:27h

A governadora Raquel Lyra tem deixado claro, na prática, que não pretende se intimidar diante das claques organizadas contra ela em eventos públicos. A mais recente cena desse embate político aconteceu na sexta-feira (16), em Serra Talhada, no Sertão do Pajeú, quando militantes ligados à prefeita Márcia Conrado (PT) ensaiaram vaias durante a presença da chefe do Executivo estadual. Raquel não recuou. Ao contrário, respondeu à altura, mantendo o discurso e reafirmando ações do governo para a região.

O episódio não é isolado. Em outras ocasiões, inclusive em eventos que contaram com a presença do presidente Lula, a governadora já havia sido alvo de manifestações hostis por parte de setores do PT. Em nenhuma delas, porém, Raquel Lyra adotou postura defensiva ou tentou minimizar os ataques. Sua estratégia tem sido clara: enfrentar politicamente as vaias com anúncios de obras, investimentos e ações concretas do governo estadual, deslocando o foco do embate ideológico para a gestão.

Esse comportamento reforça a imagem de uma governadora que prefere o confronto direto ao silêncio constrangido. Ao responder politicamente às provocações, Raquel sinaliza que não aceita ser colocada em posição secundária em seu próprio território administrativo, mesmo quando o ambiente é claramente adverso. Para seus aliados, trata-se de firmeza. Para seus críticos, de provocação calculada. Fato é que a governadora tem mostrado disposição para sustentar o embate.

O cenário ganha contornos ainda mais curiosos diante das divisões internas no próprio PT. Enquanto alas do partido promovem vaias e tentam desgastar a imagem da governadora em palanques e eventos públicos, outra parte da legenda atua em sentido oposto. O ex-prefeito do Recife e atual deputado estadual João Paulo, por exemplo, defende abertamente uma aliança com Raquel Lyra. Além dele, toda a bancada petista na Assembleia Legislativa de Pernambuco demonstra simpatia pela governadora e mantém diálogo frequente com o Palácio do Campo das Princesas.

Essa contradição expõe um PT fragmentado em Pernambuco, onde a estratégia de confronto convive com a busca por aproximação institucional. Raquel Lyra, por sua vez, parece confortável nesse tabuleiro. Ao não se intimidar com as claques e, ao mesmo tempo, manter canais abertos com setores do partido, a governadora segue apostando na força da gestão como principal resposta política. Em um ambiente cada vez mais polarizado, ela tem escolhido enfrentar o barulho com ações — e deixar que as vaias ecoem como parte do jogo.