
O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), declarou publicamente, em entrevista concedida no seu estado e amplamente repercutida nas redes sociais nesta quinta-feira, que vai apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Mitidieri, a decisão já foi comunicada ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
Durante a entrevista, o governador sergipano fez elogios ao governador do Paraná, Ratinho Junior, um dos nomes do PSD cotados para disputar a Presidência da República em 2026 — o outro é o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Apesar disso, Mitidieri explicou que, ainda no final do ano passado, conversou tanto com Ratinho quanto com Kassab para deixar claro que existe, em Sergipe, a possibilidade de um palanque único em apoio a Lula. O próprio presidente, segundo ele, tratou diretamente do assunto, pedindo seu apoio.
A posição assumida por Mitidieri abre espaço para que outros governadores do PSD adotem postura semelhante, entre eles a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra. Membros do governo Raquel garantem que tem a compreensão de Kassab para a decisão que vier a tomar na eleição presidencial. Não por acaso, surgem informações de que Lula pode optar por não cumprir agenda em Pernambuco no primeiro turno, justamente para não atrapalhar sua estratégia de buscar o apoio simultâneo do prefeito do Recife, João Campos (PSB), e da própria governadora.
Nesse contexto, o presidente estadual do PT, deputado federal Carlos Veras, esteve esta semana com o candidato do PSOL ao Governo de Pernambuco, Ivan Moraes, e com o prefeito João Campos. Veras afirmou que está à disposição da governadora Raquel Lyra para o diálogo, sinalizando que o partido busca manter pontes abertas.
A situação pernambucana, no entanto, difere da realidade de Sergipe. Enquanto Mitidieri fala em palanque único para Lula, em Pernambuco a tese defendida por aliados de Raquel, como o deputado estadual João Paulo Silva (PT), é a de múltiplos palanques. A ideia seria Lula contar com até três apoios distintos no estado, caso haja convergência com os nomes citados. Esse cenário reforça a possibilidade de o presidente não visitar Pernambuco no primeiro turno, repetindo a estratégia adotada em 2022, quando não esteve no Ceará nem na Paraíba para não interferir em articulações locais complexas.
Como têm explicado dirigentes petistas no estado, o PT deverá estar em apenas um palanque, hoje alinhado ao prefeito João Campos, sobretudo pela necessidade de garantir a reeleição do senador Humberto Costa. Dentro dessa equação, Lula gravaria para o guia eleitoral da coligação PSB/PT pedindo votos para Humberto. Resta saber se João Campos e Raquel Lyra aceitarão essa engenharia política. Ambos se preparam para uma disputa duríssima em 2026 e, ao menos no plano estadual, caminham em campos completamente opostos.
