Sob crescente pressão, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, admitiu oficialmente a possibilidade de remeter para a primeira instância os processos relacionados ao escândalo envolvendo o banco Master. A sinalização foi feita por meio de nota divulgada pelo gabinete do ministro, em meio ao aumento das cobranças internas e externas sobre sua condução do caso.
A mudança de tom ocorre após a repercussão da citação do nome de Toffoli e da divulgação de conversas reservadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, principal investigado. Nos bastidores do STF, a avaliação é de que o ministro vinha resistindo a devolver o processo ao primeiro grau, apesar das pressões, inclusive dentro da própria Corte.
De acordo com a nota, no entanto, a eventual remessa dos autos à primeira instância não ocorrerá de imediato. A decisão só deverá ser tomada após a conclusão das investigações e dos depoimentos ainda em andamento, evitando, segundo o gabinete, riscos de nulidades processuais.
Toffoli assumiu a relatoria do caso após sorteio, em novembro de 2025, a partir de um recurso relacionado ao banco Master. Pouco depois, determinou que as investigações passassem a ser supervisionadas diretamente pelo STF, mantendo o sigilo decretado pela primeira instância e validando todas as medidas cautelares já adotadas.
Na nota, o ministro sustenta que, ao analisar os autos, identificou a necessidade de diligências urgentes, tanto para o avanço das investigações quanto para a proteção do Sistema Financeiro Nacional. Foram determinadas oitivas dos principais investigados, além de dirigentes do Banco Central, incluindo acareações consideradas essenciais para esclarecer contradições nos depoimentos.
O gabinete também informa que pedidos das defesas para reconhecimento de nulidades foram rejeitados, assim como uma tentativa de acordo apresentada pela defesa de Daniel Vorcaro. Parte dos investigados já foi ouvida pela Polícia Federal nos últimos dias de janeiro, e o prazo das investigações foi prorrogado por mais 60 dias.
Apesar de reafirmar a regularidade dos procedimentos, Toffoli reconhece, ao final da nota, que após o encerramento das investigações será possível avaliar a remessa dos processos às instâncias ordinárias, sem risco de questionamentos sobre foro privilegiado ou violação ao devido processo legal.
A admissão, ainda que condicionada, é vista como um recuo estratégico do ministro diante do desgaste político e institucional provocado pelo caso, que segue sob forte escrutínio público e jurídico.
