Duas propostas apresentadas pelo vereador Jorge Quintino voltaram a ser discutidas na Câmara de Caruaru e colocam no centro do debate a necessidade de tornar os espaços públicos mais acessíveis para pessoas autistas e neuroatípicas. As iniciativas, voltadas à educação e à cultura, buscam sair do papel e enfrentar de forma prática o desafio da inclusão sensorial.
As propostas, embora simbólicas, esbarram na estrutura e na capacidade da gestão municipal em implementá-las de forma efetiva. Uma delas prevê a criação das chamadas “Sessões Azuis” em teatros, cinemas e eventos culturais, com ajustes em luz, som e comportamento do público — prática já existente em outras cidades, mas ainda ausente na rotina cultural de Caruaru.
A segunda iniciativa trata da implantação das “Salas de Silêncio” (ou Salas Azuis) nas escolas da rede municipal, com o objetivo de oferecer um espaço reservado para regulação sensorial e emocional de alunos com transtorno do espectro autista (TEA) e outras condições neurodivergentes.
Para o vereador, a proposta tem como base experiências já testadas em municípios como Recife, Garanhuns e Petrolina. “Não se trata de criar privilégios, e sim de garantir condições reais de permanência e bem-estar. Inclusão precisa ser mais do que discurso bonito em datas comemorativas”, afirmou Quintino durante pronunciamento na Casa Jornalista José Carlos Florêncio.
Fica o desafio para a Secretaria de Educação e a Fundação de Cultura analisarem a viabilidade técnica e financeira para que as ideias não fiquem restritas ao plenário.
A discussão também toca em um ponto sensível: a falta de políticas públicas contínuas para pessoas neuroatípicas em Caruaru, realidade que muitos pais e profissionais da educação relatam com frequência. As propostas de Jorge Quintino reacendem o debate e podem funcionar como catalisadoras, desde que haja articulação política e vontade de tirar as ações do papel.

