Lideranças do PSB em Pernambuco começaram a discutir, nos bastidores, uma estratégia considerada incomum na política estadual: a possibilidade de o palanque liderado pelo prefeito do Recife, João Campos, contar com três candidatos ao Senado na disputa deste ano. O debate surge em meio ao acúmulo de pré-candidaturas alinhadas ao projeto socialista, o que tem tornado mais difícil a definição de apenas dois nomes para compor a chapa oficial.
Como o eleitor pode votar em dois candidatos ao Senado, a tendência natural seria a formação de uma dobradinha. No entanto, diante da dificuldade de conciliar interesses, passou a ser considerada a hipótese de uma candidatura independente dentro do mesmo campo político. Nesse cenário, a ex-deputada federal Marília Arraes poderia disputar o Senado de forma avulsa, mantendo o apoio à candidatura de João Campos ao Governo de Pernambuco e também ao presidente Lula na corrida presidencial.
A possibilidade, porém, já provoca desconforto em setores do PT. Integrantes do partido demonstram preocupação com os efeitos de uma eventual divisão de votos dentro do mesmo campo político, especialmente porque a reeleição do senador Humberto Costa é tratada como prioridade estratégica tanto pela direção estadual quanto pela nacional da legenda. A avaliação é que múltiplas candidaturas associadas ao mesmo grupo podem gerar dúvidas no eleitorado e comprometer o desempenho nas urnas.
Mesmo com esse cenário de tensão, dirigentes socialistas avaliam que é difícil ignorar o peso político e eleitoral de Marília Arraes. Pesquisas recentes indicam que a ex-deputada mantém competitividade na disputa majoritária, o que reforça a resistência em deixá-la fora da equação. Nos bastidores, houve tentativas de reorganizar a estratégia familiar e partidária, incluindo articulações envolvendo a deputada Maria Arraes, mas até o momento não houve consenso.
Marília, por sua vez, tem sinalizado disposição para disputar o Senado, mesmo diante dos riscos. A aliados, a ex-deputada afirmou que não teme uma eventual derrota e mantém o projeto político em curso. O impasse revela a complexidade da montagem das chapas para 2026 e antecipa um cenário de negociações intensas dentro do campo governista em Pernambuco, onde a definição das vagas ao Senado se tornou um dos principais pontos de disputa política.

