CNT alerta para impactos no transporte com possível fim da escala 6×1

Mário Flávio - 14.02.2026 às 06:29h

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) afirmou que acompanha com atenção o debate nacional sobre uma possível mudança na jornada de trabalho, incluindo o fim da escala 6×1. Em posicionamento oficial, a entidade destacou que o setor produtivo está aberto ao diálogo, mas defendeu que qualquer alteração deve ser conduzida com responsabilidade, previsibilidade e compromisso com o funcionamento da economia brasileira.

Segundo a CNT, o transporte é considerado uma atividade essencial e estratégica, responsável por garantir o direito constitucional de ir e vir da população e viabilizar toda a cadeia produtiva do país. O setor assegura o deslocamento de mercadorias, alimentos, medicamentos, insumos industriais e serviços públicos, operando de forma contínua, 24 horas por dia, para manter o abastecimento e o funcionamento das cidades e das atividades econômicas.

A entidade alertou que uma eventual redução da jornada de trabalho, sem considerar as especificidades do transporte, pode provocar impactos relevantes. Um dos principais desafios já enfrentados pelo setor é a dificuldade na reposição de mão de obra qualificada. Nesse cenário, a diminuição da carga horária sem a disponibilidade de novos trabalhadores poderia ampliar o déficit de profissionais, elevar custos operacionais e comprometer a regularidade dos serviços prestados à população.

Outro ponto levantado pela confederação é o possível aumento de despesas no setor público. A CNT destacou que mudanças na jornada não afetariam apenas empresas privadas, mas também a administração pública, que poderia ser obrigada a ampliar o quadro de servidores para manter os serviços essenciais. Em um contexto de restrição fiscal, isso poderia pressionar ainda mais as contas públicas e elevar os gastos com pessoal.

A confederação defendeu que a negociação coletiva é o instrumento mais adequado para tratar da jornada de trabalho, pois permite ajustes conforme as características de cada setor, região e atividade econômica. A entidade ressaltou que, nos segmentos onde a escala 5×2 é viável, esse modelo já vem sendo adotado.

Por fim, a CNT reafirmou que está à disposição do Congresso Nacional e do governo federal para contribuir tecnicamente com o debate. A entidade defende que eventuais mudanças sejam baseadas em critérios técnicos e conduzidas com cautela, de forma a preservar o equilíbrio econômico e garantir a continuidade dos serviços essenciais à população.