PF investiga empresas abertas às vésperas do fim do mandato de ex-senador Fernando Bezerra Coelho e apura suspeita de ocultação patrimonial

Mário Flávio - 25.02.2026 às 15:48h

A Polícia Federal identificou indícios de possível lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio envolvendo o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). De acordo com a investigação, ele abriu a empresa Vale Soluções e Consultoria em 18 de janeiro de 2023, apenas 13 dias antes de deixar o mandato no Senado. A data de constituição da empresa e a movimentação financeira considerada atípica chamaram a atenção dos investigadores.

A apuração integra operação deflagrada nesta quarta-feira (25), que também teve como alvos dois filhos do ex-senador: o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho e o deputado federal Fernando Filho (União-PE). A suspeita central é de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares, com possível envolvimento da prefeitura de Petrolina.

Segundo a Polícia Federal, o esquema sob investigação consistia no direcionamento de verbas de emendas para processos licitatórios que beneficiariam empresas ligadas ao grupo familiar. Os recursos, conforme a linha investigativa, seriam utilizados para pagamento de vantagens indevidas e para estruturar mecanismos de ocultação patrimonial.

Em decisão proferida nesta quarta-feira, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a quebra de sigilo telefônico dos envolvidos. No despacho, o relator destacou que a abertura da empresa às vésperas do fim do mandato e a movimentação financeira em patamar considerado elevado para alguém que deixava a vida pública indicariam possível tentativa de dar aparência lícita a recursos de origem suspeita.

A investigação aponta ainda que a estratégia não teria se limitado à Vale Soluções e Consultoria. Outras empresas, como Excelsus Participações Ltda. e Manoa Participações Ltda., também estariam inseridas no padrão identificado pelos investigadores.

De acordo com a PF, dois integrantes do núcleo político da família, Valtemir José de Souza e Domingos Sávio Alexandre, figuravam formalmente como responsáveis pela condução dos negócios. No entanto, a corporação sustenta que ambos atuariam sob orientação direta do ex-senador.

E-mails apreendidos e atribuídos ao contador Paulo Andrade Silva, encaminhados a Fernando Bezerra Coelho, reforçariam, segundo os investigadores, o controle do ex-parlamentar sobre as finanças e o patrimônio das empresas analisadas.

Os citados ainda poderão se manifestar no curso do processo. A investigação segue sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.