O ex-prefeito de Belo Jardim e advogado Cecílio Galvão deverá ser conduzido de forma coercitiva para prestar depoimento à Carlos Viana CPMI do INSS, no Senado Federal. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (2) pelo presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), após Galvão faltar pela segunda vez consecutiva ao depoimento para o qual havia sido convocado.
Segundo Viana, o advogado foi localizado pela Polícia Federal em São Paulo depois de permanecer com paradeiro desconhecido até o início da sessão. Diante da nova ausência, foi determinada a condução coercitiva para que ele compareça à comissão na próxima quinta-feira (5), quando deverá prestar esclarecimentos aos parlamentares.
A convocação de Cecílio Galvão foi aprovada ainda em 2025, mas ele não compareceu à primeira data marcada nem à segunda tentativa de oitiva. O relator da CPMI, o deputado federal Alfredo Gaspar, chegou a solicitar que o depoimento ocorresse ainda nesta segunda-feira, pedindo que a Polícia Federal fosse acionada para levá-lo imediatamente às dependências do Senado.
suspeitas e valores milionários
De acordo com as investigações, Galvão teria recebido cerca de R$ 4 milhões de associações investigadas no esquema de descontos indevidos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. O escândalo, revelado em uma série de reportagens do portal Metrópoles a partir de dezembro de 2023, apontou que entidades arrecadaram aproximadamente R$ 2 bilhões em um ano por meio de descontos automáticos, enquanto respondiam a milhares de processos por supostas fraudes em filiações.
As denúncias resultaram na abertura de inquérito pela Polícia Federal e abasteceram investigações da Controladoria-Geral da União. Posteriormente, a Operação Sem Desconto, deflagrada em abril do ano passado, culminou nas demissões do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Cecílio Galvão é sócio da empresa Crédito & Mercado, que prestou serviços a municípios responsáveis por aportes de recursos de fundos previdenciários ao Banco Master. A empresa também promoveu palestra de Eric Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidelis. Segundo a PF, ambos teriam recebido pagamentos milionários de lobistas e associações investigadas no esquema.
A condução coercitiva reforça o peso político da CPMI e sinaliza que o colegiado pretende avançar nas apurações sobre responsabilidades individuais e possíveis conexões entre agentes públicos, empresários e entidades envolvidas na chamada “farra dos descontos” no INSS.
