Dono do Banco Master queria provocar assalto para prejudicar jornalista, aponta investigação

Mário Flávio - 04.03.2026 às 09:25h

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que determinou a prisão do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, revela detalhes de um suposto plano para intimidar o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Segundo o magistrado, há indícios de que o banqueiro teria autorizado a simulação de um assalto ou ação semelhante para “prejudicar violentamente” o jornalista e intimidar a atuação da imprensa.

De acordo com a decisão, mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro mostram que o empresário participava de um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, onde teriam sido discutidas estratégias para monitorar e atacar o colunista. Nos diálogos, o banqueiro, identificado como “DV”, menciona a possibilidade de colocar pessoas para seguir o jornalista e chega a sugerir que ele fosse agredido em um suposto assalto.

Em um dos trechos reproduzidos na decisão judicial, Vorcaro afirma: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. As mensagens também indicam que o plano poderia ser executado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Felipe Mourão e apelidado de “Sicário”.

Segundo a investigação da Polícia Federal, Mourão seria responsável pela coordenação operacional de atividades como vigilância, levantamento de informações e monitoramento de pessoas ligadas a investigações ou críticas ao Banco Master. Os investigadores também apontam que ele teria realizado consultas indevidas em sistemas restritos de órgãos públicos, utilizando credenciais de terceiros para acessar bases de dados da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até sistemas internacionais.

A decisão de André Mendonça também menciona que Mourão teria articulado tentativas de remoção de conteúdos da internet considerados prejudiciais aos interesses do grupo, enviando comunicações que simulavam solicitações oficiais de órgãos públicos para obter dados de usuários ou retirar publicações.

De acordo com a PF, o grupo de WhatsApp “A Turma” reunia diferentes personagens com funções variadas. Entre os participantes estariam um ex-diretor do Banco Central, um ex-chefe de departamento da mesma instituição, um policial civil aposentado apontado como responsável por executar ações de caráter miliciano, além de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. A investigação aponta que Mourão coordenava a execução das atividades e transmitia ordens atribuídas ao banqueiro.

Os investigadores também identificaram indícios de pagamentos regulares ao operador. Conforme as mensagens analisadas, Mourão teria recebido cerca de R$ 1 milhão por mês, valor que seria repassado por Fabiano Zettel em nome de Vorcaro e posteriormente dividido entre integrantes da estrutura.

Para a Polícia Federal, o conjunto de mensagens indica a existência de uma estrutura organizada voltada à vigilância, obtenção irregular de dados e intimidação de críticos, supostamente financiada pelo banqueiro. A defesa dos citados ainda não se manifestou publicamente sobre o teor das mensagens mencionadas na decisão. O caso segue sob investigação no Supremo Tribunal Federal.