Artigo – O exemplo do PSDB de Caruaru – por Diego Cintra*

Mário Flávio - 28.11.2015 às 16:52h

As pessoas no Brasil estão desacreditadas da política. A sociedade brasileira não se sente representada pela classe política atual em seus diversos níveis. O que temos hoje é um grande hiato entre a vontade popular e as ações governamentais. Os atuais governantes prometem criar canais para ouvir a população, criam secretarias de participação, gabinetes digitais, ouvidorias, etc., mas na prática a população continua se sentindo ausente no discurso e nas práticas da administração pública. 

A demagogia ainda impera. O atual governo federal, por exemplo, fez uma campanha prometendo uma coisa e está executando o completo oposto do que divulgou aos seus eleitores. E a crise? A crise existe e qual a solução sugerida pelo governo? Aumento de impostos! Ora, a crise é pra quem? Para nós ou para “eles”?

Neste sentido, a classe política tem um enorme desafio pela frente: próximo ano teremos eleições municipais e os políticos não podem se acomodar no velho jargão repetido infinitas vezes: “prometo mais educação, saúde e segurança!” Certo, mas como? Com qual programa? Com qual experiência?

 Este desafio envolve também não utilizar a máquina pública como uma mera provedora de cargos para aliados e partidários. O povo está cansado de ser governado por amigos e parentes do prefeito e do governador ao invés de por pessoas competentes, técnicas nas áreas respectivas.

É nesse contexto e com essa preocupação que o PSDB de Caruaru realizou na última quarta-feira, 25, um ciclo de debates com o tema “Construindo hoje a Caruaru de amanhã”. O evento chamou a atenção da imprensa e dos participantes por alguns fatores analisados a seguir.

 O objetivo do evento foi reunir técnicos de diversas áreas e com pensamentos ideológicos diversos para contribuir com sugestões destinadas a ajudarem o partido a construir o seu plano de governo que será apresentado nas eleições de 2016.

Quem abriu o evento foi o atual prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Elias Gomes, do PSDB, que falou um pouco de sua experiência à frente do governo municipal onde apresentou com orgulho o “enxugamento” da máquina pública e a profissionalização da gerência municipal.

Chamou a atenção também o fato de que o evento – apesar de promovido por um partido político – não expôs NENHUMA faixa ou cartaz com o nome de qualquer candidato ou com a imagem de qualquer político.Na ocasião o partido convidou técnicos com pensamentos e ideologias diferentes – e até mesmo contrárias – ao do comumente defendido pela maioria de seus membros.

 O evento contou, por exemplo, com exposições da profa. Dra. Ana Maria Barros e da profa. Tânia Bazante, ambas de ideologia bem diferente do partido mas que reconheceram a importância de colocar a discussão sobre políticas públicas acima de qualquer interesse ideológico ou partidário ao aceitar o convite do atuante líder do partido Raffiê Dellon.

Além do caráter técnico do evento, é preciso ressaltar que foi um debate totalmente aberto ao público, gratuito e promovido pelo Instituto Teotônio Vilela, responsável pela formação política no âmbito interno do partido, que tem à frente na cidade o professor Diogo Bezerra (UFPE), um dos responsáveis pelo evento.

Neste sentido, o evento foi um ato de coragem e de desafio à forma tradicional de fazer política: os conchavos, os eventos pagos para partidários, ou as grandes festas para simpatizantes. Ao focar a discussão em propostas concretas discutidas por técnicos de diferentes áreas e com pensamentos divergentes, o partido reafirmou seu compromisso com a cidade em primeiro lugar, proporcionando um espaço aberto de debates de ideias onde a democracia recebeu papel de destaque.

Que o evento sirva de exemplo para os demais partidos que pensam em lançar uma candidatura ao governo ou à câmara municipal: precisamos debater a cidade acima de tudo e deixarmos o jogo político em segundo plano, porque a sociedade está cansada de demagogia e precisa urgentemente de resultados concretos. O PSDB deu o exemplo, será que os outros partidos vão aceitar o desafio?

*Diego Cintra é advogado