Artigo – É preciso ter bom senso e ver que a oposição, possivelmente, tem razão – por Paulo Nailson*

Mário Flávio - 04.01.2016 às 07:35h

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Ao apontar diversos problemas na gestão de Dilma o pouco expressivo campo da oposição pontuou acertadamente em vários momentos. Numa das falas de Aécio Neves, ainda no primeiro semestre de 2015, por exemplo, ele diz que “para acabar com corrupção, é preciso que a Justiça investigue a fundo. O Brasil precisa saber quem roubou, quem mandou roubar e quem, sabendo de tudo isso, se calou”. No segundo semestre, em setembro, Geraldo Alckmin reuniu oito grandes empresários para discutir o cenário nacional e falou “que falta um motivo para o impeachment.

Ele acha que, se Dilma cair por uma razão frágil, como as pedaladas fiscais, há risco para a democracia, pois nenhum governo terá mais segurança jurídica de que terminará o mandato.” Já FHC, em recente vídeo divulgado em sua rede social, afirmou que “é preciso acabar com a corrupção organizada como ela se organizou no Brasil.” O tucano disse também que é necessário “reconstruir a vida política e a situação econômica”, salientando que não estava falando sobre “mudar o A pelo B”, mas sim “mudar o modo como se faz política” no Brasil. Todos com razão.

Mais um ano passou e Dilma permanece firme, ainda que em breve uma nova onda negativa tente minar sua gestão. Em linhas gerais o clamor da maior parte da população está em sintonia com líderes opositores, mas divergem na proposta de solução. É perda de tempo querer desconstruir o governo com estas ‘ondas’ que deixam estragos, mas passam, além de fortalecer a marcas da gestão de Lula e Dilma.

Não está tão longe, junho de 2014, o jornal O Globo publicou que nos 12 anos da era Lula e Dilma, o salário mínimo teve aumento real de 72%; o investimento público em educação passou de 4,8% para 6,4% do PIB; o Prouni levou mais de 1,5 milhão de jovens à universidade; a quantidade de brasileiros viajando de avião passou de 37 milhões por ano, para 113 milhões por ano; a produção de automóveis no país dobrou para 3,7 milhões/ano; o fluxo de comércio externo passou de US$ 107 bilhões para US$ 482 bilhões por ano; o PIB per capita saltou de US$ 2,8 mil para US$ 11,7 mil; a população com conta bancária passou de 70 milhões para 125 milhões; as reservas internacionais do país, de US$ 380 bilhões, correspondem a 18 meses de importações, o que fortalece o Brasil num mundo em crise; ao longo da crise mundial o Brasil fez superávit fiscal de 2,58% ao ano, média que nenhum país do G-20 alcançou; os financiamentos do BNDES para empresas teve inadimplência zero; etc.

E mais, no final do ano passado, duas pesquisas refletiram um clima mais ameno em relação à presidenta. O Ibope avaliou que a popularidade dela se manteve estável, e o datafolha chega a mostrar uma ‘leve’ melhora.
É fato que estamos muito longe de ter um país ideal.

Investigar, julgar e punir quem ao longo de todos os anos e gestões agiram desonestamente e para benefício próprio e fomentar uma nova cultura de servir enquanto no poder estivermos é um clamor da maioria dos mais de 200 milhões de brasileiros, que clama também por novos políticos (na esfera pública federal, estadual e municipal).

Osho diz que o novo homem é aberto e honesto. “Ele é transparentemente real, autêntico. Ele não será um hipócrita… E através dessa presença ele conhecerá o que Deus é.” E ainda finaliza dizendo que o velho homem foi crucificado o novo está no horizonte. (Osho, Philisophia Perennis, Volume 2 Chapter 2).

Guevara, em vários registros, coloca que sem o ‘homem novo’, uma nova sociedade (ideias e valores) não pode surgir. E, por último expresso o pensamento do apóstolo Paulo mostra que o ‘novo homem’ não se alcança com novo visual, novas roupas, e sim com mudança interior, uma nova consciência de retidão e justiça, ele reparte em vez de acumular pra si (Ef. 4:23 e 24). Em outro registro ele expõe que esta renovação se dá tendo como referencial quem o criou (Col 3.).

O HOMO NOVUS – Muito se fala em trocar o velho pelo novo. “Uma nova geração de políticos”… Penso que o “novo” não está relacionado a idade e sim a caráter. Assim sendo todos nós precisamos nos olhar por dentro, identificar o que tiver errado e mudar o que for necessário para que algo novo aconteça. Assim, quem sabe, num futuro não tão longo, conseguiremos contrariar Rui Barbosa não fazendo mais sentido rir da honra e ter vergonha de ser honesto.

*Paulo Nailson é colaborador