Canavieiros ameaçam protestar contra Dilma amanhã no Recife

Mário Flávio - 20.01.2016 às 07:49h

dilma

Os canavieiros nordestinos prometem realizar uma manifestação contra a presidente Dilma Rousseff nesta quinta-feira (21) na inauguração da Via Mangue, no Recife. O setor está insatisfeito porque até hoje Dilma não regulamentou a lei da subvenção da cana, datada de julho de 2014, para socorrer 30 mil agricultores vítimas de uma das maiores secas na região um ano antes.

A União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) promete reunir na manifestação cerca de 2 mil produtores de PE, AL, PB, RN, SE, BA e até do RJ – alguns dos estados inseridos na referida lei e na espera de sua regulamentação há mais de dois anos. Enquanto a lei não é regulamentada, 30 mil canavieiros, sendo que 90% deles não recebem por mês nem R$ 800 bruto, conforme dados do próprio Ministério da Agricultura, continuam abandonados pelo governo federal e prejudicados com os efeitos da antiga seca e agora da nova estiagem, proveniente do fenômeno El Niño.

A insatisfação com a presidente Dilma se estende também a produtores rurais de outros culturas agrícolas na região, a exemplo do Movimento dos Agricultores Endividados do Nordeste, que reivindica a prorrogação de parte de dívidas rurais e perdão de outras parcelas oriundas de juros majorados derivados de antigos planos econômicos. Um dos representante do Movimento, o produtor alagoano Chico da Capial, confirmou para a Unida que levará, pelo menos, 500 produtores rurais do seu estado natal.

A lei da subvenção econômica da cana nordestina e do RJ foi publicada em julho de 2014, meses antes da eleição presidencial. A lei garante R$ 12 ao produtor por tonelada de cana fornecida na safra 2012/13 – auge da seca na região. “Até hoje a lei não foi regulamentada, o que impede o início do pagamento do subsídio”, critica Alexandre Andrade Lima, presidente da Unida, acusando a presidente Dilma de ter praticado estelionato eleitoral, visto que fez promessas e não cumpriu, publicando a lei para enganar os canavieiros, a fim de arregimentar apoio eleitoral, e depois não cumprir a referida lei.