
O deputado estadual João Paulo Silva (PT) voltou a defender, na tribuna da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), a tese de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá múltiplos palanques no Estado nas eleições de 2026. Em pronunciamento nesta segunda-feira (16), o parlamentar afirmou que o cenário político atual confirma uma avaliação que ele já vinha fazendo há meses, mesmo diante de críticas internas.
Segundo João Paulo, a conjuntura evoluiu de forma a consolidar não apenas dois, mas até três palanques de apoio a Lula em Pernambuco, além da possibilidade de três candidaturas ao Senado alinhadas ao presidente. Ele citou os nomes do senador Humberto Costa (PT), da ex-deputada Marília Arraes e do ministro Silvio Costa Filho como possíveis representantes desse campo na disputa majoritária.
A leitura do deputado parte da reconfiguração das alianças políticas no Estado, que, segundo ele, tornou “irreversível” a coexistência de diferentes grupos locais apoiando Lula. Em avaliações recentes, João Paulo já havia apontado que o ambiente político favorece a multiplicação de palanques, diante da aproximação simultânea do governo federal com lideranças distintas em Pernambuco.
Nesse contexto, o parlamentar destacou a relação institucional do presidente com a governadora Raquel Lyra (PSD) e com o prefeito do Recife João Campos (PSB), que irão se enfrentar na eleição para o governo do estado esse ano. Para ele, o apoio administrativo e político do governo federal às duas gestões ajuda a explicar por que ambos tendem a estar, direta ou indiretamente, no campo de sustentação de Lula.
João Paulo também apontou a existência de um terceiro polo, ligado à esquerda, que poderia ser representado pelo PSOL. Na sua avaliação, esse espaço seria ocupado por uma eventual candidatura ao governo do ex-vereador do Recife Ivan Moraes, com a vereadora Jô Cavalcanti como opção ao Senado.
A defesa dos três palanques não é nova. Desde o início do ano, o deputado sustenta que a estratégia ampliaria a base de apoio ao presidente no Estado e fortaleceria o campo progressista ao reunir diferentes forças políticas em torno do projeto nacional.
Mesmo integrando a bancada do PT na Alepe, que tem mantido alinhamento com o governo estadual, João Paulo tem adotado um discurso mais pragmático sobre alianças. Ele chegou a elogiar publicamente a governadora Raquel Lyra após participação conjunta em evento cultural no Cinema São Luiz, destacando a organização da iniciativa e relativizando a ausência de premiação para o filme pernambucano indicado ao Oscar.
A tese defendida pelo deputado, no entanto, ainda gera divergências dentro do próprio PT e entre aliados, já que parte da legenda prefere a construção de um palanque único no Estado. O debate reflete o momento de rearranjo político em Pernambuco, onde diferentes grupos buscam espaço na disputa de 2026, que elegerá governador, senadores e presidente da República.