A notícia da morte do jornalista Bira Nunes, neste 24 de março, chega com o peso de uma despedida difícil de traduzir em palavras. Mais do que um colega de profissão, Bira foi companheiro de caminhada em diferentes fases da vida, desde os primeiros passos na graduação em Jornalismo, passando pelo estágio e pela consolidação da carreira em redações que ajudaram a formar gerações de profissionais.
Foram muitas histórias construídas lado a lado. Da TVI à TV Jornal, dividimos desafios, aprendizados e a rotina intensa do fazer jornalístico. A parceria seguiu no Jornal Extra, onde Bira revelou, com ainda mais sensibilidade, o seu olhar apurado para a fotografia — uma marca que sempre o diferenciou e encantou quem teve o privilégio de acompanhar seu trabalho.
A vida ainda nos reservou outros encontros. Chegamos a compartilhar o mesmo ambiente acadêmico, como professores do curso de Jornalismo, em mais um capítulo dessa trajetória que misturava profissão, amizade e propósito. E fora das redações, ficaram as memórias que o tempo não apaga: como a viagem a Maragogi, na primeira vez em que fui conhecer a mãe de Renata, um fim de semana leve, cheio de histórias e risadas que hoje ganham ainda mais valor.
Bira conviveu por muito tempo com o temor de uma doença no coração, uma preocupação constante entre os amigos. Com o transplante e as boas notícias que vieram depois, veio também o alívio e a esperança de muitos outros anos de convivência. Por isso, sua partida agora surpreende e entristece ainda mais.
A vida, com seus caminhos imprevisíveis, acabou nos afastando do convívio diário em determinados momentos. Mas nunca da amizade. Porque toda vez que nos reencontrávamos nas pautas da vida, era como se o tempo não tivesse passado: vinha a alegria, as lembranças, as histórias que só quem viveu junto é capaz de contar.
Hoje, o ciclo se encerra, mas o legado permanece. Permanece na memória afetiva, nas imagens captadas com sensibilidade, nas histórias contadas e nas amizades cultivadas ao longo do caminho.
Que Deus o receba de braços abertos, meu eterno amigo.

