O espaço político do Partido Liberal (PL) em Pernambuco vem passando por uma reconfiguração silenciosa, mas significativa. Nos bastidores e também nos gestos públicos mais recentes, o presidente estadual da sigla, Anderson Ferreira, demonstra estar hoje muito mais alinhado e próximo da família Bolsonaro do que o ex-ministro Gilson Machado Neto, que já foi uma das principais referências do bolsonarismo no estado e recentemente teve que deixar o PL para disputar a eleição de deputado federal pelo Podemos.
Esse movimento fica evidente em uma série de episódios recentes que reposicionam Anderson como o principal interlocutor do bolsonarismo em Pernambuco. Um dos sinais mais claros foi a relação direta com o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, que tem dado protagonismo ao dirigente pernambucano.
Em março, Flávio chegou a lançar publicamente o nome de Anderson como pré-candidato ao Senado, reforçando a confiança política e o alinhamento estratégico entre ambos. Mais do que um gesto simbólico, trata-se de um movimento que indica quem, de fato, tem hoje a preferência do núcleo bolsonarista para conduzir o projeto do PL no estado.
Outro episódio que reforça essa proximidade foi a filiação do deputado federal Mendonça Filho ao PL, em Brasília. O ato contou com a presença direta de Flávio Bolsonaro e outras lideranças do PL ao lado de Anderson, evidenciando que as decisões estratégicas do partido em Pernambuco passam pelo aval do grupo mais próximo ao presidenciável. A presença conjunta e o protagonismo de Anderson no evento indicam que ele não apenas participa, mas lidera esse processo de reorganização partidária.
Além disso, Anderson tem sido o responsável por conduzir novas filiações, formar chapas de deputados estaduais e federais, e, abrir espaço para nomes que chegam à legenda sob sua articulação. O próprio dirigente já sinalizou a chegada de novos quadros e o fortalecimento da nominata, dentro de um projeto claramente alinhado ao crescimento do PL em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Outro fator que reforça esse protagonismo foi a recente agenda de Flávio Bolsonaro no Nordeste. Passagens por capitais como Natal e João Pessoa foram interpretadas, nos bastidores, como demonstração de força da articulação política liderada por Anderson na região. A leitura é de que o dirigente pernambucano extrapola as fronteiras do estado e passa a ter influência também na estratégia regional do partido.
Esse conjunto de movimentos contrasta com o momento de Gilson Machado Neto, que perdeu centralidade no diálogo com o núcleo nacional da legenda. A declaração recente de Anderson, classificando Gilson como “página virada”, reforça essa mudança de eixo dentro do partido.
Na prática, o que se desenha é uma reorganização do bolsonarismo em Pernambuco, com Anderson Ferreira assumindo o papel de principal liderança local conectada diretamente ao núcleo duro da família Bolsonaro. Mais do que proximidade política, trata-se de controle de estrutura partidária, definição de candidaturas e condução estratégica para a eleição, que pode culminar com a indicação de Anderson para disputar o senado.
Se esse movimento vai se consolidar até as eleições, ainda é cedo para afirmar. Mas, neste momento, os sinais são claros: Anderson Ferreira ocupa hoje um espaço que, até pouco tempo, era dividido — e que agora parece cada vez mais concentrado em suas mãos dentro do PL pernambucano.
