A noite de São João foi marcada pela maior quantidade de público no Pátio do Forró. Segundo a Polícia Militar, cerca de 90 mil pessoas foram ao Parque de Eventos Luiz Gonzaga para ver o show da dupla sertaneja Jorge e Matheus. A organização do evento, que ficou esse ano com a empresa ABPA vibrou bastante com a festa, mas o que se vê e ouve nos bastidores é uma chiadeira geral, principalmente devido a maneira como a festa vem sendo gerida e o tratamento dado a imprensa.
As contastes mudanças na programação confundem a jornalistas e população, já que toda mídia divulga com a antecedência a sequência dos shows e as pessoas se preparam para ir determinado horário e observar o artista preferido, seja ele quem for. Além disso, quando se muda um horário de última hora não se leva em conta o planejamento feito pela chefia de uma redação ou editor de um jornal, mas talvez quem planeja a festa nunca tenha nem passado na porta de uma redação.
O dia de ontem foi mais um exemplo de como está sendo tocada a festa desse ano. Antes e durante o show de Jorge e Matheus o que se viu foi uma tremenda falta de respeito aos profissionais da imprensa de Caruaru. No início da festa, cada jornalista, cinegrafista ou radialista credenciado pela secretaria de Comunicação da prefeitura, recebeu um crachá do frontstage (espécie de área vip que fica em frente ao palco). A ideia era que, principalmente os profissionais que trabalham com imagem – cinegrafista e fotógrafos – tivesse uma aérea adequada para registrar as imagens das apresentações.
Na prática, o que se viu foi uma área vip mesmo, com direito a garçons trabalhando, mesinhas improvisadas e até a venda de pulseiras falsas para o local. Voltando a imprensa… Durante todo o mês, o que se viu foi uma falta de respeito de todas as formas e no dia do show dessa dupla do momento, ficou latente qual o foco da organização da festa. Jornalistas devidamente credenciados, com um monte de pulseiras foram barrados pelos seguranças da festa. Dessa vez a área que não conseguiram entrar foi o backstage (camarins). Será que iam fazer favor ao levar para os ouvintes uma fala de Jorge ou Matheus? No entanto, nas imagens ancoradas pelo próprio apresentador oficial da TV São João, mostrou um espaço lotado de pessoas para tirar foto com os ídolos. E só conseguimos trabalhar graças aos jornalistas da Secom, que facilitaram o tempo todo a nossa vida.
Nada contra essa área vip, mas como barrar profissionais que se planejam, fazem pesquisa sobre os artistas, perdem horas de sono e permitir toda aquela quantidade de gente tietando? Voltando ao durante o show, um dos funcionários da empresa chegou a expulsar um cinegrafista da área que era para ser destinada aos profissionais da imagem. “Pela primeira vez senti vergonha da minha profissão”, disse. Um dica para o pessoal da ABPA. Ouçam a musica “A Capita do Forró”, de Jorge de Altinho. A participação da imprensa sempre foi tão latente aqui, que em trecho ele cita: “…As rádios lá saem pelas ruas…”.
Para encerrar não poderia deixar de falar de Azulão. São 50 anos de carreira, dezenas de discos gravados do maior artista dessa terra. O horário do show do “pequeno grande”, como é carinhosamente chamado, foi alterado e ele entrou no palco por volta de 1h. Nenhuma emissora da cidade transmitiu o show dele, algo que não vejo desde que me conheço por gente. Pior mesmo, foi ver a indignação de alguns colegas de imprensa, que ouviam funcionários da ABPA zombando da apresentação de Azulão. Gente que nunca ouviu “Dona Tereza”, “Trupé de Cavalo” ou “Afogando a minha dor”. Azulão, o povo e a imprensa de Caruaru merecem respeito.
