Apontado como “sicário” de Vorcaro morre após prisão; PF aponta suicídio

Mário Flávio - 04.03.2026 às 20:25h

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” de Daniel Vorcaro, morreu nesta quarta-feira (4) após ser preso no âmbito de uma investigação da Polícia Federal que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Mourão chegou a ser socorrido e levado para o Hospital João XXIII, em Minas Gerais, mas não resistiu. Segundo a Polícia Federal, ele teria tirado a própria vida enquanto estava sob custódia.

De acordo com a corporação, policiais iniciaram imediatamente procedimentos de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que fez o encaminhamento do investigado para a unidade hospitalar. A Polícia Federal informou ainda que será aberta uma investigação interna para esclarecer as circunstâncias da morte. Imagens que registram a dinâmica do ocorrido serão encaminhadas ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.

Mourão era apontado pelas investigações como peça central de uma organização criminosa que teria atuado em diferentes frentes para favorecer interesses do banqueiro Daniel Vorcaro, também preso na Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, ele executava ordens que incluíam monitoramento de pessoas, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral contra alvos considerados inconvenientes.

Conversas obtidas pela investigação mostram que Mourão seria responsável por acompanhar e pressionar funcionários ligados ao banqueiro. Em um dos diálogos, ele informa que monitorava um ex-funcionário e se oferecia para utilizar um grupo chamado de “A Turma” para intimidar pessoas. Em outra troca de mensagens, Vorcaro orienta que sejam levantadas informações pessoais de um funcionário e de um chefe de cozinha, sugerindo que um deles fosse intimidado para provocar medo no outro.

As mensagens também revelam ameaças direcionadas a uma empregada doméstica que teria feito cobranças ao banqueiro. Em um dos trechos, Vorcaro afirma que a funcionária estaria o ameaçando e ordena que Mourão levante endereço e dados pessoais da mulher para pressioná-la.

Outro ponto considerado grave pela investigação envolve diálogos sobre o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Após reportagens consideradas negativas, conversas indicam a intenção de monitorar o profissional e até planejar uma agressão física, simulada como se fosse um assalto. Em nota, o jornal afirmou repudiar “veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista”.

O relatório da Polícia Federal descreve Mourão como a “longa manus” de Vorcaro — expressão jurídica usada para indicar alguém que executa ordens de outra pessoa. As investigações apontam ainda indícios de que ele receberia cerca de R$ 1 milhão por mês do banqueiro como pagamento pelos serviços ilícitos atribuídos à organização criminosa.