O plenário da Câmara dos Deputados decidiu nesta quarta-feira (10) suspender por seis meses o mandato do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), em vez de cassá-lo — revertendo parcialmente o parecer aprovado pela Comissão de Ética e desviando do destino mais drástico que estava sendo mobilizado. 
Em sessão marcada por tensão, a cassação exigia maioria absoluta (257 dos 513 deputados). Mas, diante da impossibilidade de reunir votos suficientes, a Casa aprovou um “destaque de preferência” que substituiu a punição máxima por suspensão temporária — 318 votos favoráveis, 141 contrários e 3 abstenções. 
O mecanismo de “arrumadinho” — como alguns analistas têm chamado a manobra — preserva os direitos políticos de Braga e evita a inelegibilidade que viria com a cassação. 
No dia anterior, o deputado chegou a ocupar a cadeira de presidência da Mesa Diretora da Câmara em protesto contra o processo, sendo removido à força pela Polícia Legislativa enquanto a transmissão da TV-Câmara era cortada. O ato teve repercussão imediata e reacendeu críticas sobre seletividade institucional na aplicação de regras no Congresso. 
O incidente que motivou o processo data de abril de 2024, quando Braga foi acusado de agredir — com empurrões e chutes — um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) após ofensas dirigidas à sua mãe. A condenação pela quebra de decoro parlamentar resultou no aval unânime do Conselho de Ética, que recomendou a cassação. 
Com a decisão do plenário, Glauber Braga permanece deputado — embora suspenso por seis meses. O que se desenha, para críticos, é a confirmação de que, quando falta vontade política para cassar, o Congresso pode encontrar atalhos para evitar a perda definitiva de mandatos: uma “saída política” que preserva privilégios e neutraliza consequências mais severas.
