Quando eu era menino havia uma música que dizia que: “Quem tem mãe tem tudo, quem não tem mãe não tem nada”. Sou rico por ainda ter mãe. Humberto de Campos num de seus escritos disse: “O dinheiro pode comprar um trono, dar um lugar na história, mas não dará jamais a mãe a quem a perdeu”. Em 2016, precisamente, em 25 de abril, minha mãe completará 100 anos.
Estou rabiscando um pequeno livro para o evento. Assim, uma espécie de edição comemorativa. Como das outras vezes será uma edição do autor. Um ou dois milheiros talvez. Caso desapareçam ou rareiem os meus escritos esparsos, por aqui, será exatamente por essa razão.
Vou me dedicar com exclusividade. Seguir o sábio conselho de Alceu do Amoroso Lima – o saudoso Tristão de Ataíde – que disse: “Quando você quiser fazer algo na vida, a primeira coisa que terá de fazer, é não querer fazer, tudo ao mesmo tempo”.
Aliás, inclusive, pela dedicação à minha mãe, dona Maria Fernandes de Melo, tenho deixado de assumir muitos e muitos compromissos, pois no dizer do poeta, J. G. de Araújo Jorge, é dever dos filhos levar os pais em segurança ao fim.
Assumi esse compromisso de devolver, nem que seja em parte, tudo que recebi, mormente, quando ainda era criança de tenra idade. Há anos venho me preparando psicologicamente para o dia da morte. Seja da minha, seja da dela. Mas, é aquele velho adágio: Perto de se morrer, sempre se está. Preparado para morrer, nunca se está. O fator morte sempre é uma surpresa. Mas, em tese, são os filhos que enterram os pais. Haverá de ser uma dor. Uma saudade. Uma perda. Ainda assim, cumprir-se-á a lei da criação, viemos do pó e ao pó tornaremos.
Quero ser rico ainda por muito tempo. Pois na verdade, no dia que perder a minha mãe, haverei de me considerar o mais paupérrimo de todos homens. Em suma, que seja feita a vontade do Criador, Ele que é o autor e Senhor das nossas existências. Não somos corpos passando por experiência espiritual, somos espíritos passando por experiência carnal.
Que venha 2016! E com ele o centenário daquela que me trouxe a este mundo. A este planeta de provação e de expiação. Experiências tão necessárias para a devida regeneração. Eia e avante! Quem viver, verá.
*Severino Melo – smelo2206@gmail.com – fone 999727818.