Artigo – Já mudei de partido, nunca de esposa – por Severino Melo*

Mário Flávio - 20.10.2015 às 08:44h

Salve 22 de outubro! Foi num dia desse. Uma quarta-feira. O ano era 1980, da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, (DC). Casei numa época que no Recife havia, tão somente, quatro cartórios de casamentos e todos funcionavam no térreo do próprio Tribunal de Justiça de Pernambuco, suntuoso Palácio da Justiça, com acesso pela Avenida Dantas Barreto, pois só “os nobres” tinham acesso pelas escadarias da Praça da República.

Recordo-me como se fosse hoje, quando chegamos ao Primeiro Cartório de Casamentos para nos habilitar. Um cidadão chamado Assis, que também morava no nosso longínquo e paupérrimo bairro do Jordão, na rua Alice Montenegro Lessa, virou-se para alguém que estava na parte interna do balcão e disse: “me ver um questionário de habilitação para eu anotar os dados desses dois meninos”. Na verdade, eu era bem magro naquela época e ainda não havia completado 22 anos de idade, a noiva havia acabado de completar 18 anos e juntando nosso peso total, 53 mais 48, não ia muito além dos 100 quilos.

Começou pelos nomes o questionário da habilitação: Severino do Ramo Fernandes de Melo e Gilda de Oliveira Silva. Ao final só mudaria duas coisas: O estado civil para casado(s) e o nome da nubente passou a ser: Gilda Oliveira de Melo, como assim o é, até hoje, 35 anos depois, como consta nas certidões de nascimento de nossos filhos: Osias Tibúrcio Fernandes de Melo, Juliana Oliveira Fernandes de Melo e Jobeniva Oliveira Fernandes de Melo e, agora, mais recentemente, na certidão de nossos netos: Maria Luiza Melo de Lima Ferreira e Tomás Aziel Melo de Lima Ferreira.

Correu o edital de proclamas e na quarta-feira, 22/10/1980, foi o dia de dizer, perante o Estado-Juiz, o tradicional “sim”, sem o qual não se concretiza o matrimônio de quem quer que seja. Olho para trás e vejo toda uma trajetória de trinta e cinco anos “de luta, de sonho, de tormento e de agonia criadora”, como bem escreveu o saudoso Orígenes Lessa, no seu romance, O Feijão e o Sonho. “Vida árdua, sacrificada e dolorosa… pelo devotamento exclusivo à arte”. Mas, anima saber que, “a vida só é bem vivida, quando vivida, na vida de outra vida”. Ainda assim, não há como supor as insídias e os desenganos que nos aguardam ao longo do caminho.

Somos humanos, não somos santos. Se choramos, se sofremos, o importante é que emoções nós vivemos. Se o início foi difícil, melhor assim, pois éramos jovens e suportamos tudo, com altivez e podemos ter como exemplo vivo que, “Só aqueles que passaram pelo frio da dor podem chegar ao incêndio do amor”. Em suma, somos vitoriosos na pessoa de nossos filhos e de nossos netos! Aos quais dedicamos esses trinta e cinco anos, nos quais buscamos ser exemplos de brio e de amor-próprio para que os nossos filhos e os filhos deles vejam em nós os paradigmas do bem na convivência da raça humana.

Que em 2016, Deus, do alto de sua infinita bondade nos ajude a comemorar mais um aniversário de casamento e que nossas alianças continuem nos respectivos dedos anulares esquerdos, com as suas gravações MELMOR & GILMOR, como símbolo de superação entre MELO e GILDA, diante de todas as vicissitudes enfrentadas e superadas ao longo desta existência.

Seria um casamento que teria tudo para não dá certo. Afinal de contas, nem nos conhecíamos pessoalmente um ao outro, o que ocorreu, no sábado, 14 de junho de 1980. Noivamos, na sexta-feira, 15 de agosto (dois meses depois) e nos casamos em 22 de outubro, um pouco mais de quatro meses do dia que nos conhecemos.

É como se diz: “Ninguém cruza o caminho de alguém por acaso”. À guisa de conclusão, diria apenas, que “nenhuma corrente é mais forte do que o seu elo mais fraco” e em todos os sentidos o “elo” mais fraco dessa corrente sou eu.

*Severino Melo – smelo2006@gmail.com – fone 999727818