A movimentação do ex-prefeito de Jaboatão e presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, para disputar o Senado Federal começa a ganhar contornos mais concretos nos bastidores da política pernambucana. A possibilidade de uma candidatura avulsa — fora das principais chapas majoritárias — deixou de ser apenas especulação e já é tratada como um cenário real por aliados próximos.
Segundo interlocutores, Anderson está animado com a viabilidade eleitoral do projeto, especialmente pela estratégia de vincular sua candidatura ao desempenho do senador Flávio Bolsonaro em Pernambuco. A avaliação dentro do PL é de que o voto para o Senado tende a seguir a lógica da disputa nacional, fenômeno que já foi observado em eleições anteriores.
Estratégia mira repetição de 2022
Nos bastidores, a principal aposta é repetir o comportamento do eleitorado de direita registrado em 2022. Naquela eleição, o então presidente Jair Bolsonaro obteve uma votação expressiva no estado e, segundo cálculos internos do partido, cerca de 80% desse eleitorado migrou para o candidato ao Senado da direita, Gilson Machado Neto.
Mesmo sem vencer a disputa, Gilson alcançou mais de 1,3 milhão de votos e terminou em segundo lugar, com cerca de 29,5% dos votos válidos , consolidando a força do bolsonarismo no segmento senatorial em Pernambuco.
Para aliados de Anderson, o cenário atual pode ser ainda mais favorável. A leitura é de que Flávio Bolsonaro tem potencial de ampliar o desempenho do pai no estado, o que poderia impulsionar diretamente o candidato ao Senado apoiado pelo grupo.
Candidatura independente entra no radar
O próprio Anderson já admitiu publicamente que não descarta disputar o Senado de forma independente, caso não haja espaço nas composições com atuais, principalmente da governadora Raquel Lyra (PSD). A estratégia seria manter alinhamento com o projeto nacional do PL, mesmo fora de uma chapa majoritária local.
Essa possibilidade ganhou ainda mais força após o rearranjo interno da direita em Pernambuco. A saída de Gilson Machado Neto do PL, em meio a divergências com a direção estadual, abriu caminho para que Anderson se consolidasse como principal nome da sigla para a disputa ao Senado.
Cenário fragmentado favorece estratégia
Outro fator que anima o grupo é a perspectiva de fragmentação na disputa pelas duas vagas ao Senado em Pernambuco. A possibilidade de múltiplas candidaturas competitivas, inclusive no campo da esquerda, pode reduzir o quociente necessário para vitória.
Dentro desse contexto, aliados avaliam que uma candidatura com cerca de 25% dos votos pode ser suficiente para garantir uma das cadeiras — especialmente se houver forte transferência de votos do eleitorado alinhado ao bolsonarismo, como ocorreu no último ciclo eleitoral.
