O Diretório Estadual do Cidadania em Pernambuco passou por uma reviravolta política na última sexta-feira (20). A direção estadual foi destituída e o novo presidente da legenda no Estado passa a ser João Freire, filho do presidente nacional do partido, Roberto Freire. Até então, a sigla era comandada por Cláudio Carraly, que também teve todos os integrantes do diretório substituídos por nomes ligados ao novo dirigente.
A mudança ocorre em meio ao contexto de reorganização interna do partido, após a anulação, pela Justiça, do Congresso Nacional do Cidadania realizado em 2022 — decisão que resultou no retorno de Roberto Freire ao comando nacional da legenda. A troca no diretório pernambucano já era considerada esperada por integrantes da sigla, diante desse cenário.
Com a ascensão de João Freire à presidência estadual, cresce a expectativa de que o partido se alinhe à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD). João está atualmente à frente da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), órgão vinculado ao Governo do Estado, o que reforça a leitura de aproximação política.
Reação e disputa jurídica
O ex-presidente estadual, Cláudio Carraly, divulgou nota pública criticando duramente a decisão da direção nacional. No texto, ele classifica a medida como “ilegal, desrespeitosa e incompatível com a trajetória histórica do partido”, afirmando que a destituição teria ocorrido por decisão monocrática, sem diálogo com a base.
Carraly sustenta que o diretório agora afastado foi constituído a partir de um processo político legítimo, com a realização de 18 congressos municipais em quatro meses, culminando no XXI Congresso Estadual. Segundo ele, não se trata de uma indicação burocrática, mas de uma construção coletiva validada pelas instâncias partidárias.
Na nota, o ex-dirigente afirma que o grupo recorrerá à Justiça para tentar reverter a decisão. Ele declarou confiar na Justiça Eleitoral e nas garantias legais que asseguram a autonomia das instâncias partidárias, prometendo adotar todas as medidas jurídicas cabíveis para preservar o mandato que considera legitimamente conquistado.
A crise interna no Cidadania em Pernambuco expõe não apenas uma disputa pelo comando da legenda, mas também sinaliza possíveis reflexos no tabuleiro político estadual, especialmente diante das articulações que já começam a se desenhar para as eleições de 2026.
