Civilização Brasileira relança obra de Rosa Luxemburgo

Mário Flávio - 06.03.2021 às 13:25h


Ao estudar o volume II de O capital, Luxemburgo percebeu que o tomo trazia uma lacuna na discussão sobre acumulação, que teve seu desenvolvimento interrompido pela morte de Karl Marx. A obra magna da pensadora polonesa foi, então, escrita para buscar resolver esse ponto. A cientista analisa de que forma grandes nomes da economia, como Quesnay, Smith, Ricardo, Say, Sismondi, Vorontsov, Nikolai-on, Bulgakov e outros tratam o assunto e explica como e por que apenas formulações matemáticas abstratas são inexatas para elucidar a realidade histórica.

Um dos maiores méritos de A acumulação do capital é o modo como Luxemburgo percebe, descreve e formula as condições históricas e sociais que viabilizam a expansão e a acumulação por parte dos capitalistas. Ao fazer isso, a filósofa e economista enfoca o imperialismo – com suas políticas violentas, militarizadas, desagregadoras e exploratórias de povos e terras não capitalistas – bem como o regime financeiro internacional, que então se iniciava. Segundo Luxemburgo, este, por meio de empréstimos internacionais, permitiu à estrutura capitalista global de acumulação crescer.

Esta edição reúne o texto da principal obra de Rosa Luxemburgo – traduzido pelo célebre cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira –, um apêndice com “Crítica dos críticos ou o que os epígonos fizeram da teoria marxista” – assinado pela pensadora polonesa – e o prefácio “Do centro à periferia: a atualidade de Rosa Luxemburgo”, de Fabio Mascaro Querido, professor do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Campinas.

SOBRE O AUTOR

ROSA LUXEMBURGO (1871, Zamość/Polônia – 1919, Berlim/Alemanha) é uma das mais importantes pensadoras marxistas do século XX. Sua vida uniu prática e teoria. Conhecida por sua excelente capacidade oratória, iniciou sua luta política no movimento operário ilegal aos 17 anos, participou da criação do Partido Comunista Alemão (KPD), escreveu livros e ensaios insubmissos a linhas doutrinárias e defendeu um socialismo democrático. Morreu assassinada pela GKSD, unidade paramilitar de elite, convocada pelo governo alemão. A acumulação do capital, editado pela Civilização Brasileira, é considerada sua obra mais importante.