Coluna do blog do MF da quinta – Segurança deve pautar eleição 2026

Mário Flávio - 06.11.2025 às 08:13h

A megaoperação no Rio de Janeiro, que terminou com 121 mortos, reacendeu um velho debate no país: até que ponto o governo federal está disposto a enfrentar o crime organizado? O episódio, classificado pelo presidente Lula como uma “matança”, revelou o desconforto do Planalto com o tema da segurança pública — e expôs uma distância cada vez maior entre o discurso do governo e o sentimento da população.

Em apenas uma semana após a operação, 51 projetos relacionados à segurança foram apresentados na Câmara dos Deputados. O Congresso, percebendo o clamor popular e de olho em 2026, correu para ocupar um espaço que o governo Lula parece ter abandonado. Enquanto o Palácio do Planalto tenta formular o chamado “projeto antifacção”, governadores e parlamentares da oposição defendem medidas mais duras, como a classificação das facções criminosas como organizações terroristas — algo que o próprio governo, por meio da deputada federal e ex-presidente do PT, Gleisi Hoffmann, já disse ser contra.

A posição de Gleisi evidencia a desconexão entre Brasília e as ruas. Três pesquisas recentes — AtlasIntel, Datafolha e Quaest — mostraram que a maioria da população apoia a megaoperação fluminense, apesar da alta letalidade. A mensagem é clara: a sociedade está cansada da violência e quer respostas firmes do Estado. O problema é que, em vez de propor soluções concretas, o governo federal prefere travar batalhas ideológicas e minimizar a gravidade da situação, apostando em um discurso humanista que, na prática, tem pouco efeito sobre o avanço do crime organizado.

Enquanto o Planalto tenta equilibrar narrativa e governabilidade, o governador Cláudio Castro, do PL, já anunciou que novas operações semelhantes serão realizadas. Castro, ao contrário de Lula, fala diretamente ao eleitor que quer ver o Estado agir — e não apenas discursar. Em tempos de insegurança generalizada, o silêncio do governo soa como fraqueza, e o vazio deixado por essa hesitação começa a ser preenchido por vozes mais firmes, que entendem que segurança pública não se faz com retórica, mas com coragem e ação.

Em Brasília, o debate sobre segurança virou uma disputa de narrativas. Mas, fora do eixo político, o recado da população é outro: não há mais espaço para ambiguidade. O país exige postura, e não apenas opinião.