
O Congresso do Peru aprovou, por unanimidade, a destituição da presidente Dina Boluarte, em uma votação histórica realizada nesta quinta-feira (10). A medida foi baseada em moções que alegavam “incapacidade moral” para o exercício do cargo, encerrando um governo marcado por crises políticas, denúncias de abusos e forte instabilidade institucional.
Boluarte havia assumido a Presidência em dezembro de 2022, após o afastamento de Pedro Castillo, que tentou dissolver o Congresso e acabou destituído e preso por tentativa de golpe. Desde então, o país viveu sucessivas ondas de protestos e confrontos entre manifestantes e forças de segurança, que deixaram dezenas de mortos e abalaram a credibilidade do governo.
Com a decisão do Parlamento, quem assume a chefia de Estado é o atual presidente do Congresso, José Enrique Jerí Oré, conforme previsto na Constituição peruana. Ele terá a missão de conduzir uma nova fase política em meio à pressão popular por eleições antecipadas e por uma reforma completa do sistema político, que enfrenta sucessivas rupturas desde 2018.
A destituição de Dina Boluarte reforça o ciclo de instabilidade que marca o Peru nos últimos anos — o país teve seis presidentes em apenas sete anos, cenário que evidencia o esgotamento do modelo político e o desafio de restabelecer a confiança nas instituições democráticas.
