
A movimentação nos bastidores da sucessão presidencial de 2026 já revela uma disputa estratégica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo apoio dos governadores. Levantamento divulgado pelo portal Poder360 indica que Lula, neste momento, reúne o maior número de chefes de Executivos estaduais ao seu lado. Já o campo bolsonarista aparece com vantagem quando o critério é o peso eleitoral dos Estados envolvidos.
Hoje, Lula conta com o apoio de 12 governadores, responsáveis por unidades da federação que somam cerca de 53 milhões de eleitores. No grupo ligado a Flávio Bolsonaro, são cinco governadores declaradamente alinhados, mas que governam Estados com aproximadamente 57,3 milhões de eleitores. Outro dado relevante é que todos esses cinco gestores apresentam índices de aprovação superiores a 50%. No caso do presidente, nove dos 12 aliados também ultrapassam essa marca de aprovação.
A base lulista é composta majoritariamente por governadores do PT, PSB e MDB, concentrados sobretudo no Nordeste e no Norte, em Estados como Bahia, Ceará, Maranhão, Pará e Pernambuco — regiões tradicionalmente alinhadas ao campo da esquerda. Lula também soma apoio no Espírito Santo.
Já Flávio Bolsonaro tem palanque consolidado no Distrito Federal, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo — este último o maior colégio eleitoral do país, governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), nome de destaque no campo conservador e frequentemente citado como possível presidenciável.
Além desses cinco Estados, outros oito governadores demonstram tendência de alinhamento ao projeto bolsonarista, embora ainda sem anúncio formal. Estão nessa lista Amazonas, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rondônia, Roraima, Goiás, Paraná e Tocantins. Interlocutores afirmam que as articulações seguem em curso e que novos apoios podem ser oficializados ao longo dos próximos meses.
O cenário pode se alterar no segundo turno. A projeção é que Flávio consiga ampliar sua base para até 13 governadores, enquanto Lula manteria os atuais 12. Dois gestores ainda não sinalizaram posição para uma eventual segunda etapa da disputa: Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, e Gladson Cameli (PP).
Minas Gerais surge como peça-chave nesse tabuleiro. Com cerca de 16 milhões de eleitores, é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e historicamente funciona como termômetro nacional — nenhum presidente foi eleito desde a redemocratização sem vencer no Estado. O governador Romeu Zema (Novo) tende a apoiar o campo conservador, mas Lula tenta articular a candidatura do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) ao governo mineiro, numa estratégia para ampliar influência na região.
Outro fator que impactará o mapa eleitoral é a possível saída de pelo menos 11 governadores para disputar o Senado em 2026. Entre os nomes cotados estão Helder Barbalho (MDB) e Fátima Bezerra (PT), no campo lulista; além de Ibaneis Rocha (MDB), Cláudio Castro (PL) e Mauro Mendes (União Brasil), mais alinhados ao bolsonarismo.
No Rio de Janeiro, a situação é ainda mais delicada. Caso Cláudio Castro confirme candidatura ao Senado, o Estado poderá enfrentar uma eleição indireta na Assembleia Legislativa, já que o governador não possui vice.
O jogo de alianças está apenas começando, mas o retrato atual mostra dois movimentos distintos: Lula lidera em quantidade de governadores, enquanto Flávio Bolsonaro avança em território eleitoralmente mais robusto. A disputa pelos palanques estaduais promete ser um dos principais capítulos da corrida presidencial de 2026.
