
Depois dos episódios envolvendo os bancos Master e Reag, mais uma instituição financeira passou a ser observada com atenção pelo mercado e por órgãos de controle. Trata-se do Banco de Brasília (BRB), que enfrenta questionamentos sobre sua saúde financeira e a capacidade de manter suas operações sem intervenção.
Informações que circularam ontem pela manhã apontam que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, teria pressionado o Governo do Distrito Federal a realizar um aporte de R$ 4 bilhões no BRB. A alternativa, segundo essas informações, seria o risco de intervenção no banco estatal. A movimentação teria ocorrido após o Banco Central identificar uma “insuficiência patrimonial”, indicando que o BRB possui patrimônio abaixo do necessário para cobrir perdas acumuladas em operações financeiras.
A situação do banco teria se agravado após a tentativa de aquisição do banco Master, operação que elevou o nível de exposição e aumentou a desconfiança do mercado. Como reflexo desse cenário, o desempenho do BRB nos últimos anos chama atenção: no acumulado dos últimos cinco anos, as ações da instituição registraram queda de 91%, um dado que reforça o grau de fragilidade apontado por analistas.
Oficialmente, o Ministério da Fazenda nega qualquer tipo de “ultimato”. O próprio Fernando Haddad afirmou que não cabe à pasta regular o sistema financeiro, atribuição que é exclusiva do Banco Central. Ainda assim, o ministro defendeu mudanças institucionais, como a proposta de retirar da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a fiscalização dos fundos de investimento e transferi-la para o BC, o que ampliaria o poder de supervisão da autoridade monetária.
O caso do BRB, no entanto, vai além de um problema localizado. Um banco público regional fragilizado afeta diretamente a confiança no sistema financeiro, pressiona o controlador — no caso, o Governo do Distrito Federal — e pode gerar um efeito dominó sobre investidores, fundos de pensão e até sobre o próprio Banco Central, responsável por zelar pela estabilidade do setor.
Não por acaso, em meio ao aumento das tensões, o BRB tem buscado soluções emergenciais no mercado. O banco já entrou em contato com gestoras de crédito em busca de uma captação de aproximadamente R$ 700 milhões, tentativa vista como uma corrida contra o tempo para reforçar o caixa e evitar medidas mais drásticas.