Deputada defende volta das torcidas organizadas aos estádios

Mário Flávio - 03.12.2021 às 20:20h

A criação de um Grupo de Trabalho para discutir o retorno das torcidas organizadas aos estádios de futebol em Pernambuco foi o principal encaminhamento da audiência pública realizada pela Comissão de Esportes da Alepe, nesta sexta. Sob a presidência do deputado João Paulo Costa, do Avante, a reunião, requisitada pela deputada Teresa Leitão, do PT, contou ainda com a participação de representantes de torcedores, do Judiciário, Ministério Público, da área de Segurança Pública do Estado e da OAB.

As torcidas organizadas foram proibidas de ter acesso aos estádios desde fevereiro de 2013, por força de uma liminar assinada pelo então juiz do Juizado do Torcedor, José Raimundo dos Santos Costa, atendendo a um pedido da Federação Pernambucana de Futebol. Em fevereiro do ano passado, o juiz Augusto Sampaio Angelim, da 5ª Vara da Fazenda Pública, decretou a extinção das três principais torcidas organizadas de Pernambuco: Torcida Jovem do Sport, Inferno Coral e Fanáutico.

Teresa Leitão relatou que levou o tema ao Colegiado de Esportes a partir da demanda de torcedores dos três principais clubes de Pernambuco que buscavam apoio do Legislativo para retornarem aos estádios. A parlamentar apontou que ao ouvir as demandas, a Casa dá o primeiro passo em busca de soluções. “O que a gente aqui debater, certamente será incorporado à Comissão de Esportes como uma possível intervenção do Poder Legislativo, onde couber, se couber e como couber”.

O secretário estadual de Defesa Social, Humberto Freire Barros, e o diretor adjunto da Diretoria de Planejamento Operacional da Polícia Militar de Pernambuco, coronel Alexandre Tavares, foram taxativos ao afirmar que os clubes não têm cumprido a parte que lhes cabe no plano de segurança dos eventos esportivos elaborado pelo setor.

Segundo o secretário, essa atitude tem fragilizado o planejamento de segurança dos jogos. “Em média, nós temos solicitado que o clube mandante empregue de dois a três vigilantes para cada policial que estamos empregando dentro dos estádios. Infelizmente, os clubes não têm cumprido o seu papel de colocar esse pilar importante, que é a segurança privada, que é obrigação, como eu disse, que está lá no Estatuto do Torcedor”.

Por sua vez, o representante da Federação Pernambucana de Futebol, Evaldo Mendes, anunciou que a entidade tem feito esforço junto aos clubes para que seja mantido o mínimo necessário para garantir a segurança dos jogos, ressaltando que a Federação Pernambucana acompanha o mesmo entendimento da CBF no que diz respeito à contenção de tumultos em campo. Representantes de torcedores do Sport, Santa Cruz e Náutico pediram que a Justiça deveria responsabilizar diretamente os torcedores envolvidos em confusões nos estádios, e não as torcidas organizadas.

Para o juiz Flávio Fontes, titular do Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo e Criminal do Torcedor da Capital, o problema são pessoas infiltradas nas torcidas para cometer crimes. Ele lembrou que o Estatuto prevê a obrigatoriedade da manutenção de um cadastro de membros pelas torcidas e sugeriu a implantação nos estádios de um sistema de reconhecimento facial, como ocorre em outros estados.

O promotor titular da Promotoria do Torcedor, José Bispo de Melo, também argumentou que as organizadas nunca apresentaram devidamente o cadastro de sócios quando solicitado pelo Ministério Público estadual.