Deputados federais da oposição iniciaram na noite desta terça-feira (5) um revezamento para pernoitar no plenário da Câmara dos Deputados, em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ato deve se estender até esta quarta-feira (6) e envolve parlamentares da ala bolsonarista.
A mobilização é organizada por deputados de direita, que dividiram-se em três grupos com turnos programados a cada três horas, formando uma vigília contínua no interior do plenário da Casa. A ação é simbólica e busca pressionar o Supremo Tribunal Federal e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a se posicionarem em defesa de Bolsonaro.
O ex-presidente teve a prisão domiciliar decretada após, segundo Moraes, violar medidas cautelares ao participar remotamente de uma manifestação no último domingo (3), no Rio de Janeiro. Na ocasião, Bolsonaro fez uma saudação ao público por meio de chamada telefônica transmitida por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A prática de deputados passarem a noite na Câmara como forma de protesto não é inédita. Em abril deste ano, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) dormiu por mais de uma semana em um dos plenários das comissões e chegou a fazer greve de fome. Agora, o método é reutilizado por parlamentares da oposição, com o objetivo de demonstrar resistência à medida judicial aplicada contra o ex-presidente.
Até o momento, a presidência da Câmara não se manifestou oficialmente sobre o protesto, que ocorre em meio a um ambiente de tensão institucional entre Legislativo, Judiciário e setores da oposição. A expectativa é que o movimento se intensifique caso a decisão de Moraes não seja revista nos próximos dias.
