
A decisão do Partido dos Trabalhadores (PT) de Pernambuco de oficializar apoio à pré-candidatura de João Campos (PSB) ao Governo do Estado, no último sábado (28), foi marcada por um movimento de dissidência dentro da própria legenda. A ausência de três deputados estaduais durante o ato evidenciou o racha interno e sinalizou dificuldades na unificação do partido para as eleições de 2026.
Não participaram da reunião os deputados estaduais João Paulo, Rosa Amorim e Doriel Barros. Os três são considerados próximos da governadora Raquel Lyra (PSD), principal adversária de João Campos na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.
A ausência dos parlamentares ocorre em um momento em que o PT consolida, por ampla maioria interna — cerca de 85% dos votos —, a aliança com o PSB no estado. A decisão reforça o palanque do presidente Lula em Pernambuco, mas também evidencia a existência de um grupo que mantém alinhamento político com a atual gestão estadual.
Nos bastidores, a movimentação dos deputados é interpretada como um sinal claro de desconforto com a decisão partidária. Os três integram a base do governo Raquel Lyra na Assembleia Legislativa e têm mantido uma relação política próxima à governadora, o que dificulta o engajamento automático na campanha de João Campos.
Apesar da divisão, a direção estadual do PT busca minimizar o impacto do episódio. O presidente da sigla em Pernambuco, Carlos Veras, afirmou que não haverá punição aos dissidentes e defendeu o diálogo interno como caminho para tentar recompor a unidade partidária.
A dissidência expõe um cenário mais amplo de rearranjo político no estado, em que parte do PT mantém proximidade com o governo estadual, enquanto a maioria da legenda se alinha ao projeto liderado por João Campos. O episódio reforça que, apesar da decisão formal, o partido ainda enfrenta desafios para unificar discurso e palanque diante de uma eleição que tende a ser fortemente polarizada em Pernambuco.