
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta dificuldades para construir um palanque competitivo em Minas Gerais para as eleições de 2026, a direita vive um movimento inverso: acumula nomes interessados em disputar o Palácio da Liberdade. O mais recente deles é o do presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (sem partido), que afirmou não descartar entrar na corrida estadual.
Falcão, que foi reeleito em 2024 com expressivos 85% dos votos, disse em entrevista que está “pronto para participar de um projeto que olhe Minas Gerais para o futuro e ouça os prefeitos”. Embora coloque seu nome à disposição, ele reforça que a prioridade do grupo é a construção de uma candidatura de centro-direita, liderada pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). “Não importa neste momento quem é o candidato. Mais na frente veremos quem tem mais viabilidade”, declarou.
A movimentação de Falcão ocorre após sua saída do Novo, partido do governador Romeu Zema. Agora, ele negocia filiação com o Republicanos e o MDB, e promete anunciar sua decisão até o início de fevereiro. O prefeito também tem mantido conversas com Cleitinho e com o presidente da Câmara de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB), que também circula como possível alternativa no campo conservador mineiro.
O ambiente de múltiplas candidaturas na direita contrasta com o vácuo deixado pelo PT. Até agora, Lula não conseguiu emplacar um nome para representar o campo progressista em Minas. A aposta inicial era o senador Rodrigo Pacheco (PSD), que recusou a missão e já comunicou que deixará a vida política ao fim do mandato.
A ausência de uma liderança competitiva preocupa o PT nacional, já que Minas tem papel decisivo nas eleições presidenciais: historicamente, quem vence no estado conquista o Palácio do Planalto. Em 2022, Lula superou Jair Bolsonaro (PL) por uma margem apertada, e o partido avalia que repetir o desempenho sem um palanque forte tende a ser ainda mais desafiador.