
A já frágil economia de Cuba entrou em um novo e perigoso capítulo após a retirada de Nicolás Maduro do poder na Venezuela — um parceiro estratégico de longa data cuja saída pode empurrar a ilha caribenha para um colapso econômico sem precedentes.
A relação entre Havana e Caracas vinha sustentando o funcionamento básico da nação socialista há mais de duas décadas. Desde os anos 2000, Cuba depende de petróleo venezuelano subsidiado para manter serviços essenciais como eletricidade, transporte público e operações governamentais. A ilha, que precisa de cerca de 100 mil barris de petróleo por dia, produz internamente apenas cerca de ¼ dessa demanda, tornando-se extremamente dependente das exportações de energia da Venezuela.
Antes da recente crise, a Venezuela chegava a enviar aproximadamente 26 a 35 mil barris diários para Cuba — um volume que representava boa parte da necessidade energética do país. Contudo, após a captura do presidente Maduro por forças dos Estados Unidos no início de janeiro de 2026, nenhum carregamento venezuelano tem chegado à ilha, interrompendo de forma abrupta esse fluxo vital.
O choque é imediato. Sem o petróleo venezuelano, longos apagões tornaram-se rotina em várias províncias cubanas. Hospitais lutam para manter equipamentos funcionando, o transporte público opera com capacidade reduzida, e já há relatos de dificuldades crescentes no acesso a alimentos e serviços básicos. A crise também atinge o setor turístico, um dos poucos pilares da economia que ainda gerava alguma receita externa.
Para muitos cubanos, a crise só tende a se agravar. A escassez de alimentos, energia e medicamentos tem alimentado um êxodo recorde de cidadãos, sobretudo em direção aos Estados Unidos, em busca de melhores condições de vida.
Pressão dos Estados Unidos intensifica cenário
Nos últimos dias, a pressão sobre Havana aumentou. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Cuba “não terá mais acesso ao petróleo nem ao dinheiro da Venezuela” e instou o governo cubano a fechar um acordo com Washington “antes que seja tarde demais”. Trump chegou a repostar uma mensagem sugerindo que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio — filho de imigrantes cubanos — deveria ser “presidente de Cuba”, numa clara provocação ao regime de Havana.
Em resposta, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou que os Estados Unidos “não têm autoridade moral” para impor qualquer tipo de acordo e reforçou que Cuba é uma nação soberana, rejeitando qualquer interferência externa.
Existe um plano B?
Enquanto isso, surgem esforços para evitar um desastre total. O México emergiu como fornecedor alternativo de combustível, embora em volumes ainda insuficientes para substituir a Venezuela como principal fonte de energia. A Rússia também mantém entregas limitadas, mas até agora nenhum país conseguiu assumir o papel que Caracas desempenhava por tantos anos.
Analistas alertam que, sem uma solução energética robusta ou uma mudança estrutural na economia, Cuba pode enfrentar um colapso ainda mais profundo nos próximos meses — um cenário que muitos cubanos consideram quase impossível de piorar, mas que agora parece cada vez mais plausível.