
A eleição de 2026 em Pernambuco deixou de ser projeção e virou realidade política com nomes, chapas e palanques praticamente desenhados. O cenário agora é cristalino: o pleito caminha para um confronto direto — um verdadeiro “x1” — entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB). Mais do que uma disputa tradicional, o que se desenha é um plebiscito sobre dois projetos de poder no estado.
O movimento mais recente que consolida essa leitura foi o fechamento da chapa de João Campos. O socialista bateu o martelo e montou uma composição robusta, com Marília Arraes (PDT) e o senador Humberto Costa (PT) para o Senado, além de Carlos Costa (Republicanos) como vice, ampliando o arco político com o grupo de Silvio Costa Filho. Com isso, João entra na disputa com uma frente ampla que une esquerda, centro e parte do campo governista nacional.
Do outro lado, Raquel Lyra respondeu no mesmo nível. A governadora consolidou a aproximação com a federação União Progressista e ganhou um reforço decisivo: o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), que declarou apoio e desponta como um dos principais nomes ao Senado em sua chapa. A tendência é de manutenção de Priscila Krause na vice e a abertura de uma segunda vaga ao Senado como peça estratégica para ampliar alianças.
Senado agitado, mas subordinado ao jogo principal
Apesar da movimentação intensa, a disputa pelo Senado não muda o eixo central da eleição — apenas o reforça.
No campo de João Campos, a chapa já está praticamente definida:
- Humberto Costa (PT), tentando a reeleição;
- Marília Arraes (PDT), fortalecida politicamente;
No campo de Raquel Lyra, o desenho começa a ganhar forma:
- Miguel Coelho (União Brasil), já integrado ao projeto;
- Uma segunda vaga ainda em aberto, podendo atrair nomes do centro ou da direita.
Paralelamente, surge um terceiro movimento: o campo bolsonarista. Mesmo sem candidatura competitiva ao governo até agora, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), lançou o nome do ex-prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira (PL), ao Senado, tentando ocupar um espaço próprio na disputa e ele pode virar uma opção para atrair o eleitor mais conservador.
Dois blocos, um confronto
O que antes era um tabuleiro fragmentado começa a se reorganizar em dois grandes blocos:
- João Campos: frente com PSB, PT, PDT e aliados nacionais do governo Lula;
- Raquel Lyra: base mais ao centro, com PSD, União Brasil, PP, uma uma parte do PT e possível aproximação com setores conservadores.
E aqui está o ponto central: mesmo com tantos nomes, partidos e articulações, o eleitor já começa a simplificar a disputa. A eleição não será decidida por quem tem mais apoios, mas por quem convence mais.
Um plebiscito político e administrativo
Na prática, Pernambuco viverá um julgamento direto. Raquel Lyra colocará na mesa sua gestão, suas entregas e o discurso de mudança em relação ao ciclo socialista anterior. Já João Campos apresentará a força do PSB, a herança política de Eduardo Campos e o desempenho à frente da Prefeitura do Recife como credenciais.
O peso de Lula ou de um eventual candidato da direita à Presidência terá influência, mas não será determinante. A decisão será local, direta e comparativa entre os dois projetos. Com as chapas praticamente desenhadas e os palanques em consolidação, não há mais espaço para dúvida: a eleição de 2026 em Pernambuco será decidida no mano a mano.
Raquel Lyra x João Campos. Todo o restante — Senado, vice, alianças — gravita ao redor desse confronto. E o eleitor pernambucano será chamado não apenas a escolher nomes, mas a decidir qual caminho o estado quer seguir. Um verdadeiro plebiscito político.
