Editorial – Eleição em Pernambuco será um ‘x1’ entre Raquel Lyra e João Campos

Mário Flávio - 19.03.2026 às 06:31h

A eleição de 2026 em Pernambuco deixou de ser projeção e virou realidade política com nomes, chapas e palanques praticamente desenhados. O cenário agora é cristalino: o pleito caminha para um confronto direto — um verdadeiro “x1” — entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB). Mais do que uma disputa tradicional, o que se desenha é um plebiscito sobre dois projetos de poder no estado.

O movimento mais recente que consolida essa leitura foi o fechamento da chapa de João Campos. O socialista bateu o martelo e montou uma composição robusta, com Marília Arraes (PDT) e o senador Humberto Costa (PT) para o Senado, além de Carlos Costa (Republicanos) como vice, ampliando o arco político com o grupo de Silvio Costa Filho. Com isso, João entra na disputa com uma frente ampla que une esquerda, centro e parte do campo governista nacional.

Do outro lado, Raquel Lyra respondeu no mesmo nível. A governadora consolidou a aproximação com a federação União Progressista e ganhou um reforço decisivo: o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), que declarou apoio e desponta como um dos principais nomes ao Senado em sua chapa. A tendência é de manutenção de Priscila Krause na vice e a abertura de uma segunda vaga ao Senado como peça estratégica para ampliar alianças.

Senado agitado, mas subordinado ao jogo principal

Apesar da movimentação intensa, a disputa pelo Senado não muda o eixo central da eleição — apenas o reforça.

No campo de João Campos, a chapa já está praticamente definida:

  • Humberto Costa (PT), tentando a reeleição;
  • Marília Arraes (PDT), fortalecida politicamente;

No campo de Raquel Lyra, o desenho começa a ganhar forma:

  • Miguel Coelho (União Brasil), já integrado ao projeto;
  • Uma segunda vaga ainda em aberto, podendo atrair nomes do centro ou da direita.

Paralelamente, surge um terceiro movimento: o campo bolsonarista. Mesmo sem candidatura competitiva ao governo até agora, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), lançou o nome do ex-prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira (PL), ao Senado, tentando ocupar um espaço próprio na disputa e ele pode virar uma opção para atrair o eleitor mais conservador.

Dois blocos, um confronto

O que antes era um tabuleiro fragmentado começa a se reorganizar em dois grandes blocos:

  • João Campos: frente com PSB, PT, PDT e aliados nacionais do governo Lula;
  • Raquel Lyra: base mais ao centro, com PSD, União Brasil, PP, uma uma parte do PT e possível aproximação com setores conservadores.

E aqui está o ponto central: mesmo com tantos nomes, partidos e articulações, o eleitor já começa a simplificar a disputa. A eleição não será decidida por quem tem mais apoios, mas por quem convence mais.

Um plebiscito político e administrativo

Na prática, Pernambuco viverá um julgamento direto. Raquel Lyra colocará na mesa sua gestão, suas entregas e o discurso de mudança em relação ao ciclo socialista anterior. Já João Campos apresentará a força do PSB, a herança política de Eduardo Campos e o desempenho à frente da Prefeitura do Recife como credenciais.

O peso de Lula ou de um eventual candidato da direita à Presidência terá influência, mas não será determinante. A decisão será local, direta e comparativa entre os dois projetos. Com as chapas praticamente desenhadas e os palanques em consolidação, não há mais espaço para dúvida: a eleição de 2026 em Pernambuco será decidida no mano a mano.

Raquel Lyra x João Campos. Todo o restante — Senado, vice, alianças — gravita ao redor desse confronto. E o eleitor pernambucano será chamado não apenas a escolher nomes, mas a decidir qual caminho o estado quer seguir. Um verdadeiro plebiscito político.