
Esta quinta-feira (26) marca um dos momentos mais importantes do calendário político nacional em 2026. Está pautada para as 10h, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a homologação da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP). Caso seja confirmada, a aliança nasce como a maior força política do Congresso Nacional.
A chamada “superfederação” reunirá mais de 100 deputados federais e cerca de uma dúzia de senadores, além de concentrar um dos maiores volumes de recursos eleitorais do país, com um fundo que se aproxima de R$ 1 bilhão. Esse peso político e financeiro transforma o bloco em peça-chave na definição de alianças estaduais — especialmente em Pernambuco, onde o cenário está aberto.
No estado, o comando da federação ficará com o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), que acompanha de perto o julgamento no TSE com expectativa positiva, respaldado pela direção nacional da sigla, liderada pelo senador Ciro Nogueira. Do lado do União Brasil, lideranças como Antonio Rueda também demonstram otimismo, apesar de resistências internas em alguns estados.
Impacto em Pernambuco
Se no plano nacional a federação já nasce gigante, em Pernambuco ela pode ser determinante para o rumo da eleição de 2026. Isso porque o bloco reúne lideranças que hoje estão divididas entre dois projetos antagônicos: a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD) e a pré-candidatura do prefeito do Recife, João Campos (PSB).
Nos bastidores, há um verdadeiro cabo de guerra. Se antes havia divisão interna entre os grupos políticos no estado, o cenário mudou nos últimos dias e tende a influenciar diretamente o rumo da federação. O ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, uma das principais lideranças do União Brasil, rompeu com o grupo do prefeito do Recife e declarou apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra.
A decisão foi acompanhada pelo próprio União Brasil em Pernambuco, que também oficializou alinhamento ao projeto da governadora, fortalecendo sua base política para 2026 e abrindo espaço, inclusive, para a construção de uma candidatura ao Senado dentro desse grupo.
Com esse movimento, o eixo político da federação no estado passa a ter uma inclinação mais clara em direção ao palanque de Raquel Lyra, reduzindo o espaço de influência do campo ligado ao prefeito do Recife, João Campos. O PP estava mais próximo de João, mas nos últimos dias existe a possibilidade do partido guinar para o palanque da governadora, com a decisão sendo tomada nos próximos dias.
Federação pode ser decisiva na eleição
A eventual confirmação da federação com unidade em Pernambuco pode ser determinante para o equilíbrio da disputa. Caso o bloco siga majoritariamente alinhado à governadora, Raquel Lyra ganha reforço estratégico em estrutura partidária, tempo de televisão e capilaridade eleitoral.
Por outro lado, para João Campos, a consolidação desse movimento representa uma perda relevante no campo do centro político, obrigando o socialista a fortalecer ainda mais sua base em outros partidos e no campo da esquerda.
Como as federações exigem atuação conjunta por quatro anos, não há margem para divisões formais entre os partidos integrantes. Isso torna a decisão ainda mais estratégica e com impacto direto na formação das chapas majoritárias e proporcionais.
Peso nacional com reflexos locais
Mais do que uma articulação em Brasília, a Federação União Progressista nasce com capacidade real de influenciar o resultado das eleições estaduais. Em Pernambuco, onde a disputa entre Raquel Lyra e João Campos tende a ser polarizada, o posicionamento do bloco pode funcionar como fiel da balança.
A homologação no TSE deve encerrar a etapa jurídica. A partir daí, o jogo político se volta para outra pergunta central: com o novo desenho de forças, quem conseguirá reunir a maior coalizão rumo ao Palácio do Campo das Princesas em 2026.
