Elon Musk diz que prisão de Moraes ‘está a caminho’ por envolvimento com Banco Master

Mário Flávio - 12.03.2026 às 17:25h

O bilionário Elon Musk, proprietário do X (antigo Twitter), voltou a provocar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, nesta quinta-feira (12). A reação ocorreu após uma publicação do jornalista norte-americano Glenn Greenwald sobre uma suposta ligação entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado por fraudes financeiras.

Greenwald compartilhou em seu perfil uma reportagem que cita contatos entre o ministro e o empresário. Na sequência, o jornalista relembrou uma publicação feita por Musk em agosto de 2024, na qual o bilionário divulgou uma imagem criada por inteligência artificial mostrando Moraes na prisão. Na ocasião, Musk escreveu: “Um dia, Alexandre, essa foto da sua prisão será real. Guarde minhas palavras”.

Ao responder à nova publicação de Greenwald, Musk voltou a provocar o magistrado. “Ainda não, mas (a prisão) está a caminho. Por que arrumar briga comigo? Que bobagem”, escreveu o empresário, reacendendo o embate público entre os dois.

A troca de críticas ocorre no contexto do inquérito das chamadas milícias digitais no STF, que investiga a atuação de grupos suspeitos de disseminar notícias falsas nas redes sociais. Elon Musk chegou a ser incluído na investigação aberta em abril de 2024 por decisão de Moraes, sob suspeita de “instrumentalização criminosa” da plataforma X, além de desobediência a decisões judiciais, obstrução de Justiça e incitação ao crime. No entanto, o ministro decidiu arquivar o inquérito contra o empresário nesta terça-feira (10).

A notícia comentada por Musk envolve ainda a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Reportagem publicada pelo jornal O Globo revelou que, no final do ano passado, ela firmou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master para que o escritório da família atuasse na defesa dos interesses da instituição e de Daniel Vorcaro junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional.

Segundo investigações da Polícia Federal, Moraes e Vorcaro também teriam trocado mensagens por WhatsApp ao longo do dia 17 de novembro de 2025, data em que foi cumprida a primeira ordem de prisão contra o banqueiro. Em nota, Viviane afirmou que os serviços prestados ao banco estavam relacionados à implementação de mecanismos de compliance e à revisão do código de ética da instituição.

Já o Supremo Tribunal Federal informou que as mensagens citadas nas investigações não foram enviadas ao telefone do ministro, mas a outros contatos que aparecem na agenda do empresário. Contudo, reportagem do jornal Estadão aponta que o código-fonte de um programa utilizado pela Polícia Federal levanta dúvidas sobre a versão apresentada por Moraes em relação aos destinatários das mensagens.